Weme Experience Stanford #Dia9: Twitter. Gestão em 140 caracteres

Pensar e executar uma boa estratégia para um negócio não é algo simples. Fazer isso em empresas que sobrevivem da inovação e da tecnologia é ainda mais desafiador. Reinventar-se em um curto espaço de tempo e de ter concorrentes que ainda nem conhece. Esse é o desafio dos modelos de gestão utilizados no Vale do Silício.

Modelo de gestão refere-se à forma como as empresas organizam suas atividades e recursos com a aplicação de procedimentos, normas e regras. Dentro de um modelo de gestão, basicamente, a organização define qual é a estratégia e as iniciativas a serem seguidas, o sistema de liderança, a gestão das pessoas (da atração a retenção) e os processos em todos os âmbitos do negócio. Lembrando que tudo isso deve ser arquitetado de forma a se atingir os objetivos definidos, suportar o modelo do negócio (produtos, proposta de valor, canais, formas de remuneração, relacionamento, atividades chave, recursos principais e custos) e a cultura organizacional.


Jack Dorsey, fundador do Twitter

Os modelos de gestão no Vale do Silício possuem muitos pontos em comum. Pela natureza e velocidade com que as coisas acontecem por aqui, os modelos são direcionados para a inovação, incremental no curto prazo (apenas algumas melhorias nos elementos já existentes) e disruptiva no longo (transformação completa no modelo, na gestão ou nos produtos).

A conversa de ontem foi com Jonathan Chang, formado em economia pela Stanford e com MBA na Wharton. Jon é responsável pela gestão corporativa e de estratégia do Twitter. Assim como de outras empresas de inovação do Vale do Silício, o modelo de gestão do Twitter utiliza os componentes de estratégia, liderança, pessoas e processos para servir a inovação e o seu propósito: Ajudar as pessoas a criarem e compartilharem ideias e informações de forma instantânea e sem nenhuma barreira.


Jonathan Chang, responsável pela gestão corporativa e de estratégia do Twitter.

Do ponto de vista da estratégia, ela é desenhada com dois componentes principais. No curto prazo, as iniciativas são de melhoria incremental em todo o negócio. Nesse ponto, as ações são implementadas de forma rápida e testadas em tempo real. “Em nosso produto, no curto prazo fazemos ajustes e rapidamente testamos com os usuários. Ser uma empresa de natureza online nos permite fazer isso de forma muito rápida e eficiente” ressaltou Jon. No longo prazo o caminho da estratégia é muito mais desafiador. “Precisamos nos reinventar a cada cinco anos. E quando eu digo reinventar é criar algo sem precedentes. Se ao final de cinco anos não atingirmos isso, a estratégia deu errado”, afirmou Jon.

No caminho do modelo, e desenhado nesta ordem, a estratégia é desdobrada pelo próximo componente: liderança. No Twitter, os líderes respiram inovação. São gestores que além de saberem como gerir pessoas, sabem fazer. “Os líderes no Twitter inspiram o time porque gostam de gente mas também valorizam e conhecem sobre realização”, afirmou Jon.

Além do perfil, um ponto importante sobre a liderança, que encontramos em todos os negócios visitados no Vale, é a reunião semanal com os lideres. Às quintas-feiras de manhã, sem exceção, o CEO e o board falam e escutam toda a equipe da empresa. Uma oportunidade de compartilhar os resultados, os caminhos, a cultura e engajar 3.500 mentes incríveis para solucionar problemas ou encontrar oportunidades.

Em um modelo de gestão de negócios inovadores como o Twitter, o ponto principal sobre pessoas é a contratação. O nível de seleção é altíssimo. Seja pelos conhecimentos e habilidades trazidos pela experiência e formação de primeira, ou pelas atitudes que devem ter o empreendedorismo (autonomia, foco em assumir problemas, trabalhar em equipe e realizar) como raiz.

Sob o ponto de vista de processos, os do dia a dia são desenhados para promover a autonomia. Além dos operacionais, uma série de outros processos são utilizados para promover a inovação. Um exemplo, como explica Jon, é o hack week: “Todo ano, times são formados para trabalhar, durante uma semana, em projetos que tenham interesse e estejam associados ao twitter”. Alguns projetos são estratégicos, outros táticos, e há também aqueles apenas por diversão. “Além de ser um laboratório de inovações para o negócio, também é uma forma das pessoas exercitarem os músculos da criatividade” citou um dos engenheiros participantes do #hackweek.

O que mantém a roda estratégia, liderança, pessoas e processos sob controle são os indicadores. Eles são os elementos que mantém vivo o modelo de gestão. São variáveis quantitativas medidas periodicamente para indicar se o caminho está correto ou não. No Twitter, além dos números principais do negócio como faturamento, vendas, etc. Indicadores de satisfação dos usuários também são utilizados. O grande desafio da área de estratégia vem sendo desenhar os elementos para mensurar a inovação. “Ainda não encontramos uma variável eficiente e capaz de dizer se algo foi inovador ou não. Estamos trabalhando nisso.” afirmou Jon.

A inovação cultivada nos negócios no Vale do Silício vem de modelos que ressaltam a realização em todas as esferas da gestão. Para inovar é preciso realizar sem medo de errar. Isso envolve uma estratégia que suporte a saúde do negócio no curto prazo e dê base para pensar no longo. Lideranças que misturam técnica, relacionamento e inspiração. Pessoas extremamente autônomas e qualificadas. E finalmente processos que permitam que a autonomia e o livre fluxo de ideias aconteçam. Medir a inovação ainda vem sendo um desafio. Se a inovação é pensada para as pessoas, mais do que numerar quantos novos produtos ou atributos são desenvolvidos, o caminho para encontrar esse indicador esteja em ouvir os usuários. Sempre uma questão de ser mais humano.

Simplificando em 140 caracteres: #Estratégia, #Liderança, #Pessoas e #Processos para realizar a #inovação e o propósito: promover o fluxo de conteúdo aberto e sem barreiras.

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