Weme Experience Stanford #Dia6: Google. O ambiente certo para as pessoas certas

Empresas inovadoras possuem processos, ferramentas, espaços inspiradores e outros elementos de gestão aplicados para promover a inovação. São todos fundamentais. Mas são apenas facilitadores. As principais engrenagens da inovação são as pessoas e a cultura de uma organização. Para compreender então uma empresa disruptiva, a melhor coisa é conversar com os seus colaboradores.


Vista da sede do Google, no Vale do Silício

Foi isso que fizemos nesta segunda-feira e faremos durante toda esta semana. A primeira conversa foi com o Samuel Goto, engenheiro de software do Google. Goto é líder técnico e faz parte do time responsável por representação do conhecimento na área de search engine da empresa. Representação do conhecimento é um segmento da inteligência artificial. Para simplificar muito, já que é uma área de trabalho extremamente complexa, o time de Samuel é responsável por desenvolver a tecnologia que traz as respostas, quando ao invés de palavras, os sistemas de busca são utilizados para se fazer perguntas. Experimente digitar a pergunta: Qual é a altura de Barack Obama? A resposta é precisa e rápida. Aí está o trabalho de representação do conhecimento.


Samuel Goto, engenheiro de software do Google

O que faz o Google diferente? Samuel responde rápido: “O Google sabe contratar muito bem. São milhares de pessoas com alta performance. Essa é a chave”. A empresa busca e contrata pessoas que sejam inteligentes, tenham autogestão, e estejam dispostas a fazer a diferença para mudar o mundo. Os aqui chamados, Googlers.

Daniel H. Pink é autor de livros sobre motivação que são referência em gestão, e colaborador regular do New York Times, do Harvard Business Review, da Fast Company e do Wired. Em um dos seus livros, Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us, Pink defende, através de estudos e pesquisas, que o segredo da alta performance e satisfação vem de uma tríade. Autonomia: uma necessidade profunda do ser humano de controlar suas próprias vidas. Maestria: o desejo individual de se tornar melhor em algo relevante para si próprio. Propósito: a ânsia de trabalhar em algo maior, que faça a diferença para o mundo.


Daniel H. Pink

No Google estes elementos apresentados por Daniel Pink estão presentes de forma muito clara, e são fundamentais para os resultados da organização.

Iniciando pela autonomia. Todos na empresa gerenciam seu próprio tempo, trabalho e metas. “Ninguém vai falar o que você deve fazer”, segundo Samuel. A cada trimestre, cada colaborador define seus próprios objetivos e seus indicadores de sucesso. A partir daí partem para o trabalho, acessando seus colegas ou líderes quando julgar necessário.

Um funcionário do Google na área de engenharia tem três líderes: de produto, técnico e de pessoas. Todos são facilitadores do trabalho. Fora das reuniões trimestrais, nenhum deles tem o hábito de “puxar” a equipe para acompanhar o trabalho. É exatamente o contrário. Os colaboradores procuram os seus gestores para uma standup meeting (reunião rápida e em pé) quando for importante para o desenvolvimento de suas atividades. Mas para chegar neste ponto, as pessoas são extremamente comprometidas com suas entregas, seu desenvolvimento e seus papéis dentro da empresa.

Além disso, cada um dentro do Google pode escolher um dia da semana para fazer o que tiver vontade. “Pode imaginar as coisas incríveis que uma pessoa com doutorado no MIT, Harvard, Stanford e outras universidades pode fazer com um dia livre por semana? Daí partem muitas inovações” completa Goto.

Outro ponto que apoia a autonomia é o controle. Os funcionários sabem até onde podem ir e se estão prontos ou não para uma promoção, por exemplo. O Google é uma empresa que trabalha com dados, dentro e fora do ambiente de trabalho. Essa visão analítica traz mais controle e dá suporte para a gestão individual.

Indivíduos de natureza pesquisadora e insaciáveis por conhecimento, como o Google busca e contrata, possuem um interesse ainda maior pela maestria. Ao buscar o conhecimento e a habilidade máxima em determinados assuntos, as pessoas são capazes de fazer grandes descobertas e promover inovação na empresa.

A busca pela maestria derruba também a competição. Como defende Goto: “Todos querem se aprimorar e resolver problemas insolúveis por aqui. O mundo tem problemas infinitos, então você não precisa competir, é só pegar outro. Mesmo assim, quando aparece alguém com a solução para o seu problema, isso é celebrado. O conhecimento é algo para ser celebrado”.

Toda a infraestrutura do Google é pensada também para promover o foco no conhecimento relevante e a colisão de ideias. Para cortar o cabelo, ir ao banco ou fazer qualquer exercício físico, ninguém precisa sair da empresa. É rápido e simples. Assim todos podem usar o tempo para focarem em aprendizado e realização do trabalho. Os espaços coletivos espalhados por todo o “Googleplex” (como é chamada a área ocupada pelo Google) e os escritórios abertos, permitem que as pessoas compartilhem informações, ampliem o seu conhecimento através da troca e produzam grandes ideias e projetos. Incluindo um laboratório de inovação e Design Thinking montado pela Stanford nos moldes da d.school.

Por fim, o propósito do Google é algo claro para o mundo externo, o que dirá para os colaboradores, que não só compreendem como compartilham da mesma razão de estar ali: para fazer algo maior, para transformar o mundo. E a empresa dá oportunidade para as equipes fazerem isso em diferentes frentes, do conhecido sistema de buscas que fica mais inteligente a cada dia, até computadores que levam para a marca Chrome ou veículos autônomos.

É claro que o Googleplex é incrível e inspirador. Mais parecido com um campus de universidade do que com uma empresa. Com suas bicicletas amarelas que circulam e ficam disponíveis para quem precisar. Móveis e espaços com cores vibrantes e elementos divertidos. Cheio de espaços de convivência e esporte disponíveis para qualquer hora do dia. Com restaurantes de qualidade que, assim como tudo, funcionam 24h sem nenhum custo para os funcionários. Mas por mais sensacional e inusitado que possa ser, com certeza o ponto alto desta visita não são os espaços físicos. Diversão, disponibilidade, inspiração e outros elementos de todo o Googleplex são um cenário para os atores principais: as pessoas.

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