Inovação. Por onde eu começo?

Eu poderia apresentar ou reforçar uma série de ferramentas, frameworks e práticas incríveis para vocês: design thinking, scrum, growth hacking ou business design para superar essa paralisia. Todos são muito efetivos. Mas a resposta para essa pergunta não se limita a dominar tecnologias ou ferramentas, é sobre atuar profissionalmente de forma contemporânea, nem melhor nem pior, de uma maneira mais adequada ao nosso contexto atual de negócios, que muda a toda hora, e que portanto, demanda novas capacidades constantemente.

Há 4 anos atrás eu fui para o Vale fazer um curso. Aproveitei a viagem e marquei uma série de conversas com as pessoas que trabalhavam por lá. E aqueles bate papos foram um ponto de virada para mim. Aprendi demais conversando com aquelas pessoas. Nos anos seguintes, não só eu, como muitas pessoas da weme, continuaram visitando ecossistemas de inovação e empreendedorismo e pessoas inspiradoras. Isso teve tanto impacto para gente que virou tese de mestrado. No ano passado fizemos estudos de caso no Vale do Silício e em ecossistemas no Brasil. Conversamos com mais gente talentosa e inspiradora. Desde profissionais em empresas como facebook, google, linkedin, pixar ou em startups, até em universidades e escolas de negócio.

Sabe o que aprendemos? Que muitas vezes pensamos em negócios e tecnologias inovadoras mas esquecemos que quem são inovadoras são as pessoas. Pessoas, não negócios, são a unidade básica de inovação e disrupção.

Em nosso estudo e experiências, percebemos que em um contexto que muda a toda hora e novas capacidades são demandadas, o mais importante para essas organizações e pessoas em ambientes de mudança é o modelo mental voltado para a aprendizagem, abertura e realização rápida. Sem uma estratégia para promover um modelo mental mais contemporâneo dentro da sua organização, incluindo o seu, é uma questão de sorte ser criativo, inovador e competente o suficiente para competir.

As pessoas são o ponto de partida para novas ideias. Precisamos adotar uma trajetória disruptiva para nós mesmos — chacoalhando as coisas profissionalmente  —  de tempos em tempos ou nós mesmos nos tornamos obsoletos. Seremos ultrapassados por pessoas mais ágeis e ambiciosas — disrupt or be disrupted, assim como a última tecnologia. O caminho para isso? Começar amanhã mesmo a atuar profissionalmente de uma forma mais contemporânea.

Pela nossa experiência e estudo, cinco pontos são fundamentais para a construção de um modelo mais contemporâneo na perspectiva do indivíduo:

Juntos: Os desafios bem como as soluções contemporâneas são complexos, envolvem múltiplas competências, saberes e, portanto, precisamos trabalhar juntos de verdade para resolver. Pensamos e construirmos muito melhor entre pessoas, times, organizações e até ecossistemas. É fundamental também compreender que a melhor solução definitivamente não é a ideia que você tirou da sua cabeça, é aquela que você desenvolveu para, e com o usuário.

Pense grande: Estamos falando de um momento de oportunidades de negócios capazes de impactar centenas de milhões de pessoas. Precisamos de iniciativas para tornar o nosso futuro melhor e as ferramentas estão disponíveis. Porque você vai pensar pequeno?

Aja pequeno: Ao invés de conceber grandes go livre para os seus projetos realize pequenos ciclos. Faça experimentos, coloque para rodar em uma dimensão menor assim você não terá receio de apresentar algo que ainda não está pronto.

Acelere rápido: Como eu disse, tudo está mudando muito rápido e só vai acelerar. Trabalhe sempre para aumentar a velocidade e reduzir a burocracia ao máximo nas suas ações.

Comece de novo: Em um contexto alteração radical na natureza dos negócios e nas competências demandadas, tudo o que você não deve fazer é assumir que esses quatro pontos anteriores vão resolver os seus desafios para sempre. Isso tudo vai mudar também. Esteja aberto para perceber as mudanças e preparado para aprender novas competências. Na nossa era atual, não se trata de ser alguma coisa e sim em crescer em alguma coisa. Tem uma grande diferença aí. É muito mais dinâmico.


Pixar

Na perspectiva de um time ou organização, os líderes precisam cuidar de preparar o ambiente para favorecer o aprendizado e o exercício de novos modelos todos os dias. Isso significa criar as estruturas sociais, físicas, tecnológicas e culturais que estimulem a troca entre as pessoas, que propulsione e valorize a busca pelo conhecimento, e principalmente dê liberdade para os indivíduos.

Tenho um amigo que é engenheiro sênior do Google em Mountain Viés. Uma vez ele me disse que o Google tem a melhor política para desenvolvimento das pessoas: conversas com os colegas e internet via bife é liberado para todos.

Não se trata de oferecer treinamentos e desenvolvimento, mas de criar um ambiente que junte pessoas inquietas, desafios constantes e um contexto aberto e cheio de oportunidades de aprendizado e experimentação.

Você provavelmente tem algum projeto ou iniciativa para começar não tem? Então para começar amanhã mesmo. Comece por você. Comece experimentando fazer de uma forma mais contemporânea.

 

Sobre o autor
Depois de cursar Medicina por três anos, Mauricio Bueno descobriu que queria ajudar as pessoas de outras formas. Estudou Gestão e Estratégia de Empresas na UNICAMP, Gestão e Inovação no mestrado da Fundação Dom Cabral, Design Thinking na Stanford University e Organizações Exponenciais na Singularity University. Como cofundador da weme – uma aceleradora do ecossistema de inovação e empreendedorismo -, se concentra hoje em empoderar, fomentar e conectar pessoas, organizações e ecossistemas capazes de transformar o mundo.

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