Definição no Design Thinking: O Poder da Síntese

Na semana passada, a Ana, que também é business designer na weme, publicou um artigo muito bacana sobre Empatia – a capacidade que temos de compreender genuinamente os sentimentos e necessidades de outras pessoas. Hoje, vamos falar sobre Definição, etapa que geralmente acontece após a empatia no processo de design thinking.

Na fase de empatia, coletamos dados da pesquisa em profundidade, temos uma grande quantidade de post-its com anotações, além de diversas imagens e vídeos com registros dos comportamentos dos nossos usuários. Mas, e agora? Precisamos fazer escolhas, exercitar o nosso poder de síntese e dar sentido a tudo isso para fazer emergir um desafio que seja relevante para o nosso usuário.

“Se há algum poder no design, é o poder da síntese” Alejandro Aravena

Síntese, no design thinking, significa identificar ressonâncias e padrões significativos, em meio a essa enxurrada de informações da fase de empatia. No começo desse processo, as coisas tendem a parecer confusas. É normal! Com insistência e criatividade, os insights inspiradores para o desafio que estamos tentando resolver, emergem como num passe de mágica. Veja algumas dicas sobre a etapa de definição:

Prepare-se para a Definição

Antes de mais nada, permita-se navegar pela complexidade. Esteja aberto e atento aos insights e às novas compreensões que emergem a todo o momento, nas fases iniciais do processo.

(Re)faça conexões

Preparado? Agora busque padrões e afinidades, informações similares. Faça o exercício de buscar também conexões inesperadas. Seja criativo ao agrupar as informações! Experimente identificar novas taxonomias, ou seja, classifique os grupos de formas diferentes e inusitadas! Depois, insira um título aos grupos formados. Tente não usar nomes óbvios! Por fim, em um post-it, faça um resumo do conteúdo de cada grupo, isso é bacana pois permite a rápida identificação do grupo.

Foque em perfis extremos

Comece a identificar a persona, aquele grupo representativo de usuários que direciona o seu desafio. Uma boa dica é focar em perfis extremos, já na etapa de empatia! Quanto mais distante do usuário típico, mais oportunidades temos que sair do lugar comum. Imagine entrevistar um dos maiores colecionadores de Barbies do mundo? Ou aquela mãe que prefere criar, com materiais reciclados, os brinquedos do filho de 4 anos pois não curte lojas? Quantos insights valiosos poderíamos tirar desses contextos?

Stanley Colorite, colecionador de Barbies (Barcroft TV)

Defina um Ponto de Vista

Comece a anotar os insights que surgem ao longo do processo de clusterização. Uma dica bacana é formular uma frase contendo os seguintes pontos:

  • Usuário: escreva quem é a persona, suas características, estilo de vida e percepções;
  • Necessidade: escreva qual é a necessidade ou dor que você está tentando resolver. Pergunte sempre POR QUE, para chegar às necessidades mais profundas;
  • Insight: escreva algo que você percebeu que alguém de fora não perceberia, algo inesperado, uma analogia, ou uma contradição.

Definição: O caso do mapa do metrô de Londres

O mapa atual do metrô de Londres expressa o poder de síntese do design. Resume-se a linhas que seguem 3 direções: horizontal, vertical ou 45°.

Mapa do metrô de Londres em 2017

Mas nem sempre foi assim! O primeiro mapa idealizado para o metrô era fiel à geografia e super complicado. Possuía detalhes como desenho de rios, parques, árvores e as estações amontoadas no centro do mapa.


Mapa do metrô de Londres em 1908

Harry Beck redesenhou o mapa quando percebeu que as pessoas que utilizavam esse tipo de transporte só queriam entrar e sair de uma estação a outra, rapidamente, e não se importavam nem um pouco com o que acontecia na superfície. Detalhes eram irrelevantes! Nas palavras de Michael Bierut “o que importava era o sistema, e não a geografia”. Beck transformou um contexto complexo em um ponto de vista único e conectado às dores e necessidades das pessoas. Veja o vídeo desse case.

Perceber o que era valor para o usuário do metrô foi uma sacada bem sucedida de Beck e é exatamente o que fazemos o tempo todo aqui na weme – projetamos soluções que impactam positivamente a vida dos nossos usuários e dos nossos clientes. Quando aplicamos um Canvas, um Mapa de Empatia e outras tantas ferramentas do design em nossos workshops e sprints de design, estamos justamente aplicando o processo criativo que Beck utilizou ao ressignificar o conceito do mapa do metrô de Londres.

Sobre a autora

A Eveline Ferreira é business designer na weme e reikiana. Acredita que o design pode ressignificar crenças e transformar a realidade das pessoas de forma muito positiva. É formada em Design pela FEUP (Portugal) e possui experiência em consultoria de inovação.

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