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Weme Experience Stanford #Dia4: No final, o melhor de tudo é ser humano.

Em todas a culturas, e na vida da maioria das pessoas, as histórias ou narrativas são utilizadas como forma de entretenimento, educação e preservação da valores e crenças.

O poder de contar essas histórias, também chamado como Storytelling, tem a ver com a habilidade de transmitir acontecimentos em palavras e imagens, de forma improvisada ou pensada.

Fatos e acontecimentos, quando apresentados no formato de narrativas, despertam emoções. As emoções são processadas na área cerebral humana responsável pela memória, sentimentos, comportamentos e tomadas de decisão: o sistema límbico.

Ou seja, uma história quando contada, acessa diretamente a memória, o comportamento, e influencia as relações humanas. É por isso que o storytelling é capaz de conectar pessoas e interferir nas decisões.

Antonio Damasio é um neurocientista português que trabalha no estudo do cérebro e das relações humanas, comprovou, em um de seus trabalhos, a conexão entre as emoções e as decisões. O estudo envolveu indivíduos com algum tipo de lesão cerebral no sistema límbico e mostrou que estas pessoas são incapazes de tomar decisões. O que Damasio concluiu é a que a decisão é suportada por duas vias complementares: a representação das conseqüências das opções (fruto do raciocínio) e a ativação de experiências emocionais através da percepção da situação, e consequente de experiências anteriores (fruto da emoção). Ou seja, o pensamento humano tem necessidade das emoções para ser eficaz.


Antonio Damasio, neurocientista português.

Uma apresentação ou projeto, que tem a pretensão de engajar as pessoas deve envolver o storytelling para gerar conexão. E Scott Doorley, diretor de criação do instituto de design da Stanford, falou sobre a participação das histórias no Design Thinking: “Ao utilizar o storytelling para transmitir uma ideia ou apresentar um projeto, estamos falando de emoção. Mesmo sem muitos recursos ou tempo, se formos capazes de transmitir sentimento nas nossas interações, influenciaremos comportamentos e seremos lembrados”.

Doorley mostrou que uma narrativa básica deve conter, uma ação, um momento de tensão, uma mudança e um significado. Aplicando ao Design Thinking, a ação é a empatia, quem foi a pessoa ouvida. A tensão é qual o problema ou oportunidade observada. A mudança é a ideia ou projeto pensado. E finalmente o significado é a razão desse projeto.


Scott Doorley, diretor de criação do instituto de design da Stanford.

Durante o 4.˚ dia de curso, a apresentação dos trabalhos sobre como é possível transformar a experiência dos turistas na cidade de São Francisco não teve arquivos em power point ou grandes recursos, tão pouco tempo. Em 2 minutos, cada equipe utilizou o storytelling para apresentar suas ideias aos executivos da rede de hotéis Hyatt. O resultado foi que os projetos foram compreendidos de forma plena, a apresentação foi divertida e os espectadores puderam participar do aprimoramento das ideias, já que ninguém teve a pretensão de ser perfeito, apenas despertar sentimentos.


Equipes apresentando os projetos para executivos da Hyatt Hotéis.

Para fechar o dia, as equipes foram reunidas em uma sala e recebidas com seguinte recado de 15 minutos: “Aqui está o material de vocês, assim é como sugerimos que seja feito, agora em 10 minutos vocês devem ensinar e participar do processo de ideação, prototipagem e teste com as pessoas que vieram nos visitar hoje”. Essa foi mais uma lição da Stanford sobre relacionar-se com as pessoas, ajustar seu time de forma rápida, ser eficiente, trabalhar se divertindo e principalmente fazendo.


Equipes sendo desafiadas a aplicar o processo do Design Thinking, em 10 minutos.

Todo o processo de Design Thinking aplicado nos últimos dias, da empatia até a apresentação dos projetos, foi marcado por feedbacks rápidos, transparentes e diários, e momentos de lições aprendidas dentro do grupo. Isso fez com que a equipe mantivesse um clima de abertura e confiança, que as pessoas e o time pudessem fazer ajustes rápidos na forma de trabalhar, e que o grupo fosse capaz evoluir a cada dia. Foi realmente transformador. Pessoas com bom nível intelectual, com diferentes formações e backgrounds, e que nunca haviam trabalhado juntas, produzindo projetos inovadores graças a esse exercício de aprimoramento das relações e interações pessoais. Deixando de lado as vaidades e a necessidade de liderar, e aproveitando os momentos para compartilhar, produzir e se divertir.

A mensagem no final do dia de hoje é que o Design Thinking, definitivamente, é um conjunto poderoso de processos e métodos. Mas assim como o cérebro humano, não é nada sem emoção. Para se obter frutos do Design Thinking, o grande aprendizado vem da mudança de comportamentos individuais e das atitudes como membro de um time, da compreensão da importância do erro e da execução para evoluir, e da valorização das relações humanas durante todo o processo.


Vista da D.school, em Stanford.

Inovar, criar, trabalhar e produzir. Tudo pode ser melhor se formos capazes de compreender, conversar e colaborar com o outro. Enfim, é tudo uma questão de sermos mais humanos.

Espero que estejam gostando dos textos. Até amanhã!

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Weme Experience Stanford #Dia3: Não existe errar ou acertar, o foco está em realizar.

Encorajar a geração de ideias e o trabalho em equipe, e permitir que os usuários “experimentem” e avaliem previamente as soluções de forma rápida e simples, garante o sucesso e a velocidade da inovação no processo de Design Thinking.

Passadas as etapas de empatia e definição, de abrir e estreitar o foco do processo, é hora de ampliá-lo novamente. É o momento de idealização.


O momento de empatia é fundamental para a idealização.

Idealizar tem a ver com gerar ideias e soluções possíveis para um problema. Para que haja qualidade no material de idealização, a quantidade é fundamental.

Chegar ao objetivo de gerar grande volume de soluções possíveis, depende de um conjunto de pressupostos individuais, da equipe e do ambiente onde se está trabalhando no projeto.

Do ponto de vista do indivíduo, é importante que não haja medo de falhar. Quando expostas a este tipo de sentimento, as pessoas tendem a evitar o risco ou manter-se em sua zona de conforto, ou seja, individualmente acabam bloqueando a geração de boas ideias.

Como time, o clima de segurança e abertura deve estar presente. As ideias devem ser recebidas sempre com afirmação: “Sim, temos uma boa ideia”. Ou conjunções aditivas: “fazemos isso e podemos incluir aquilo”. Ao criticar ou ignorar a ideia de um participante, o senso de segurança e pertencimento é quebrado. Vai-se então a oportunidade da equipe colaborar com boas soluções.

Na etapa de idealização, a postura é também algo fundamental. Tirar as ideias do campo horizontal para o campo vertical, ou seja, escrevê-las em post-its e colocá-las em uma superfície em que todos possam ver e interagir, torna a construção algo colaborativo. Retirar as cadeiras e as mesas do centro da atividade, e trabalhar em pé, sem barreiras, traz velocidade e integração para a equipe. O mobiliário deve promover a colaboração e apoiar o processo, e não servir como barreira.


O mobiliário ajuda no desenvolvimento do processo de Design Thinking.

O time deve avaliar as ideias de acordo com sua percepção de adequação ao problema, relevância para as pessoas, nível de inovação e outros critérios possíveis. Filtradas as melhores ideias, a equipe escolhe aquelas que serão tangibilizadas.

A prototipagem é parte vital do Design Thinking. Nesse ponto, é fundamental que o foco da equipe seja construir uma experiência com os seus protótipos. No Instituto de Design Thinking de Stanford (a d.school), materiais bem simples são oferecidos como matéria-prima para os protótipos e o grande desafio é ser capaz de envolver o usuário em uma experiência.

O conceito principal é que testando as ideias de forma simples, rápida, com pouco investimento, mas de forma envolvente, reduz-se a chance de erro ao final do projeto. Ao mesmo tempo, evita-se o desperdício de dinheiro e horas de trabalho.

Durante o dia, Matt Jones, Head de Future Infotainment na Jaguar Land Rover, e ex-aluno de Design Thinking de Stanford, contou como a última ideia de seu time de engenheiros foi testada por proprietários da marca Jaguar. Simulando um carro com cadeiras de escritório e mesas improvisadas, a marca envolveu seus usuários e os encorajou a participar do desenvolvimento de uma solução. Matt salientou: “É importante não ter medo de mostrar ao seu usuário”.


O espaço da oficina, local que apoia as atividades de prototipagem.

Ao realizar a fase de testes no Design Thinking, a equipe tem mais uma oportunidade de se envolver com as pessoas de forma empática. Criando uma simulação com os protótipos desenvolvidos e permitindo que o usuário interaja, a equipe pode coletar as observações sobre o que funcionou, o que não funcionou, e quais as novas soluções e perguntas que surgiram. Com a rica percepção dos verdadeiros usuários, o time define o futuro de suas ideias e as melhorias possíveis.


Alunos, “na rua”, buscando a percepção dos verdadeiros usuários.

O dia foi de estimular as ideias e a colaboração, encorajar os feedbacks dentro da equipe, tornar as soluções tangíveis de forma simples, envolvente e rápida, e ouvir o que as pessoas têm a dizer. Depois de um dia cheio de soluções, protótipos incrivelmente rústicos e eficientes, e mais uma tarde de boas conversas com usuários reais, a mensagem por traz dos processos de idealizar, prototipar e testar dentro do Design Thinking foi: Nada é um erro. Não existe vitória e nem derrota. Existe apenas o realizar.


Na D.school, o mobiliário potencializa a colaboração.

Amanhã é o dia de apresentações de soluções e início de uma nova tarefa, um projeto de graduação que cada aluno implementará em seu dia a dia durante os próximos 30 dias e o submeterá para a universidade. Logo, novidades vem por aí.

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Weme Experience Stanford #Dia2: Quer construir algo relevante para as pessoas? Comece indo “para a rua”

O Design Thinking é construído em cinco etapas fundamentais: empatia, definição, idealização, prototipagem e teste.

A empatia é o início do trabalho, e significa basicamente sentir o que outra pessoa está sentindo. É a base do processo de human centered design; Através de um entendimento profundo das pessoas é possível realmente pensar, “desenhar” e implementar algo que seja relevante para os seres humanos.

Para exercitar o processo de empatia é importante: viver experiências como um usuário, observar o comportamento das pessoas no contexto de suas vidas e interagir estabelecendo conversas.

Através da observação e de entrevistas é possível construir uma imagem sobre as motivações dos usuários baseando-se no que eles falam, pensam e sentem.

Um processo construtivo é começar a observação por análises mais concretas de situações específicas, para pensamentos sobre as emoções e motivações mais abstratas que se passam nestas cenas observadas: o que as pessoas estão fazendo, como estão fazendo, e por que estão fazendo. O ponto principal é caminhar da observação para a inferência. E isso é saudável no processo.

Sobre as entrevistas, quatro pontos são fundamentais: seja humano, converse, busque histórias e fale sobre sentimentos.


Modelo com as etapas fundamentais de uma entrevista.

Resumindo, quer desenvolver algo para as pessoas, “vá para a rua” e viva um pouco. Esta é a mensagem do dia de hoje.

Depois de receber o desafio de remodelar a experiência de turistas na cidade de San Francisco, as atividades do segundo dia aconteceram, na verdade, nas ruas de San Fran.

Após observar e conversar com diversas pessoas — moradores e turistas — no entorno de Fisherman’s Wharf (famoso ponto turístico da cidade), e com a equipe da rede Hyatt de hotéis (patrocinadores do projeto), o ponto seguinte foi analisar as informações coletadas e partir para a definição do problema.

Definir o problema é a segunda etapa no processo de design thinking. É o momento de sintetizar as informações de forma a reunir os principais aspectos do desafio ou da oportunidade: de quem estamos falando, quem são essas pessoas, o que chamou a atenção nas observações e conversas, e o que transformaria a vida dessas pessoas — não as soluções, mas que tipos de desafios precisam ser superados.

Para inspirar as equipes, as reuniões de times na etapa de definição aconteceram em um espaço com a melhor vista possível da cidade de San Francisco: o 36º andar do hotel Hyatt, no centro da cidade.


Vista do 36 º andar do Hyatt Hotel San Francisco.

No trabalho de hoje, dentre as diversas observações e conversas, a entrevista de uma família norte-americana de uma pequena cidade do interior do país e de um jovem casal de holandeses chamou a atenção para o fato de que mais do que pontos turísticos famosos, estas pessoas querem viver experiências realmente autênticas, simples e únicas em cada cidade que visitam. Ficou o desafio: como oferecer para estas pessoas a oportunidade de experimentar a verdadeira personalidade de San Francisco.


Como oferecer para os turistas a oportunidade de experimentar a verdadeira personalidade de San Francisco foi o desafio proposto, no 2º dia do curso de Design Thinking da Stanford.

Amanhã é dia de trabalhar na geração e avaliação de ideias, na criação de protótipos, no teste das soluções propostas e de trazer mais informações por aqui.

Até!

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Weme Experience Stanford#Dia1: A melhor maneira de criar e inovar é fazendo

O design não se limita a criar objetos elegantes ou embelezar as coisas. A lição principal de um designer é como observar o mundo e as pessoas, e a partir disto compatibilizar exigências com utilidade, restrições com possibilidade, e necessidades com demanda.

Esta é a base do Design Thinking, um conjunto de processos e métodos que tem como objetivo entender e resolver problemas. O fundamental desta abordagem é combinar empatia em um contexto de um desafio, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto.

O Design Thinking vem sendo aplicado no desenvolvimento e aprimoramento em diversas esferas das organizações, como produtos, serviços, marcas e estratégia.

A metodologia (Design Thinking) ganhou tanta relevância para a gestão organizacional, que recebeu também um destaque dentro da escola de negócios da Stanford. Um instituto focado em design para negócios, o Instituto Hasso-Plattner, a d.school.

Hoje foi o primeiro dia da extensão em Design Thinking na escola de negócios da Stanford. Um dos pontos altos de todo o aprendizado da weme no Vale do Silício.

Aula de David Kelley, na d.school da Stanford

Entre introduções, conteúdo, atividades e exemplos práticos, o primeiro dia do curso foi inspirador.

O dia foi aberto por David Kelley, para quem não o conhece, ele é o fundador da IDEO (www.ideo.com), uma das empresas mais inovadoras do mundo, e da Stanford d.school.

David Kelley, IDEO CEO.

A mensagem principal deixada por Kelley foi que a criatividade e a inovação não são dons ou “estalos de genialidade”. Precisam de um processo. A criatividade é um jeito de pensar, um passo a passo, uma abordagem proativa de encontrar novas soluções. Nas palavras de Kelley: “Criatividade e a habilidade em inovar são como músculos — quanto mais usamos, mais forte elas se tornam”.

Após a abertura do curso, pudemos experimentar — de forma intuitiva — todo o processo de design thinking. Da empatia em ouvir o “usuário”, até a realização dos testes com os protótipos desenvolvidos para tangibilizar as ideias geradas.

O dia foi fechado com um relato inspirador de Doug Dietz, responsável por inovação na GE Healthcare. Doug mostrou como a empatia foi fundamental para inovar os exames de ressonância e tomografia em crianças. (https://www.youtube.com/watch?v=jajduxPD6H4)

Doug Dietz, GE Healthcare

A péssima experiência nestes exames, para crianças e pais, segundo Doug, resultava no fato de que mais de 85% das crianças tinham que ser medicadas (anestésicos) para realizar os exames, e o agendamento de exames de ressonância e tomografia era de 80 dias — já que as crianças resistiam e demoravam muito para realizá-los.

Mais do que tentar melhorar produtos ou atributos, a GE Healthcare, foi ouvir as crianças e observar todo o processo de um exame, desde o agendamento até a entrega do diagnóstico. O resultado é que o problema não estava no equipamento e sim na experiência. Segundo Doug: “Não se trata do que fazemos e sim por que fazemos. Queremos ajudar as pessoas a viverem melhor, com saúde. Não se trata apenas de fazer equipamentos melhores e com mais atributos”.

A solução da equipe de Doug foi criada em conjunto com um “time” de crianças e adolescentes. Toda a experiência foi pensada para criar aventura e entretenimento para as crianças. Desde a preparação para o exame até a sua realização, as crianças foram envolvidas com encantamento e os pais engajados com confiança e tranquilidade.

Hoje, nos hospitais onde a solução foi implementada, apenas 15% das crianças precisam de algum tipo de medicação e os exames são instantâneos, sem agendamento. Além de tudo isso, o “time” de crianças e adolescentes que participaram do processo recebem um percentual sobre a venda das solução.

A mensagem principal deixada por Doug hoje, em suas palavras, foi: “Reformule o problema a partir da empatia. Acredite em seu propósito — porque você faz o que faz, e questione o status quo. A resposta que eu tinha para a péssima experiência dos exames era: Tem que ser assim.”

Excelente início para um curso que traz muito do que acreditamos na weme. Amanhã, começamos a exercitar de fato todas as ferramentas do design thinking, com o objetivo de criar e testar, ao final do programa, algo relevante para a sociedade.

Até amanhã!