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Como podemos impactar a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social através do design?

Impactar realmente a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social

Por mais que o avanço da tecnologia nos traga uma série de melhorias para nossas vidas, sabemos que essas melhorias quase sempre ficam restritas às pessoas que têm condições de ter os dispositivos tecnológicos para acessar tais melhorias. 

Poderíamos trazer aqui diversos recortes sociais, raciais e de gênero para falar sobre essa vulnerabilidade, mas escolhemos alguns dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, que resumem a situação: a pandemia agravou os problemas socioeconômicos e 33,7% da população latinoamericana entrou na pobreza ou extrema pobreza. São mais de 22 milhões de pessoas que passaram a integrar essa faixa. No Brasil, estamos falando de famílias com renda per capita de R$100,00 (ou menos!) por mês. 

Como poderíamos falar de tecnologia e aplicativos para essas pessoas? Essa é mais uma história que a weme, de maneira voluntária, orgulhosamente ajudou a construir através do design. 

Quem tem fome, tem pressa 

Aurora Suh, cofundadora , e Priya Patel, cofundadora e COO da Akiposso+, no início da pandemia, se uniram a outras pessoas amigas, para desenvolver uma plataforma de doações de  cestas básicas montadas por mercadinhos de periferia para doar para quem precisava naquele momento. Mas ali já sentiram que não podiam ficar fazendo apenas ações pontuais assim, em situações de emergência. Com essa ação inicial, que era mais assistencialista, conseguiram suprir necessidades imediatas, mas Priya conta como ficou com uma pergunta que não saía da cabeça:

Como poderíamos transformar essas vidas?

Então, as 5 pessoas fundadoras começaram a buscar mais dados sobre vulnerabilidade social no país. E assim nasceu a iniciativa Arca+, que ganhou esse nome inspirado na Arca de Noé, como quem quer que todo mundo embarque nessa empreitada.  

O desafio

Como trazemos protagonismo para as pessoas em situação de vulnerabilidade social? Ao invés de ter uma postura assistencialista, que só entrega produtos  esporadicamente? 

Como fazer uma redução de bias, que traduzimos livremente como polarização dos conceitos? É um problema muito comum, especialmente quando o público tem poucas condições de mostrar o que realmente deseja. Um exemplo para ficar mais fácil de entender: é como criar produtos para crianças que atendam desejos e/ou necessidades dos pais e não delas mesmas.

Como poderíamos valorizar o protagonismo dessas pessoas que se encontram em situações tão difíceis? E, por fim, o desafio que engloba todas essas perguntas: Como promover inclusão digital e transformação social através da tecnologia? 

Menos presunção, mais escuta 

Os processos de descoberta e empatia que são praxe no design são fundamentais para a redução de bias. Quando queremos fazer um projeto, é comum já termos em mente o público que queremos  impactar, mas nem sempre o que achamos é exatamente a realidade que vamos encontrar. Logo, é preciso descobrir, e não presumir. 

Então, o pessoal da Arca+, (que hoje é Akiposso+ mas já já você entende essa mudança) junto da weme, fez entrevistas de profundidade com pessoas moradoras de comunidades, para entender seus desafios, dores e a maneira de pensar que elas têm, para não correr riscos de cair em tantos achismos, que são super comuns quando se trata desse  público. Exemplos disso: dizem que pessoas que moram nas favelas só querem receber  doações e não querem trabalhar, tem quem diga que não sabem ler, que não gostam de estudar, que não querem melhorar de vida, que não se esforçaram o suficiente e por isso estão em tal situação. E mais um monte de falácias. 

Quando nos aproximamos dessas pessoas, constatamos exatamente o contrário. O discurso da meritocracia, nesses espaços, fica totalmente invalidado. E assim, entendemos que o que gostaríamos de fazer no início, que era fornecer alimentos e outros itens básicos, não condizia com o que as pessoas realmente precisavam.

A persona principal dessa história comprova: 

Jaiane, moradora do Pico do Jaraguá, onde há 14 favelas e ocupações. É mãe solo de três crianças, chefe de família, mora em uma ocupação e paga aluguel por isso (mais uma vez, diferente do que muita gente pensa). Trabalha fazendo faxina e outros bicos, e tem muita vontade de voltar a estudar.

Assim, através da empatia, descobrimos que muitas pessoas nessa situação têm uma postura de enfrentar a vida e buscar toda e qualquer oportunidade de melhora. Ao contrário do que se prega por aí, essas pessoas estão extremamente interessadas em melhorar sua condição de vida e não esperam “viver de assistencialismo”. 

Outro ponto super importante nessa história é de que, nesse processo de escuta, identificamos a importância de  fazer um rápido rebranding, pois nesses resultados qualitativos entendemos que o protagonismo que essas pessoas queriam exercer já podia começar ali. 

Nós temos a cultura de buscar errar rápido, mas prezamos muito não banalizar esses erros, e aprender com eles. Então, através de uma dinâmica de naming, ou nomeação, elas trouxeram outro nome que faziam mais sentido para o projeto, que traduzia como elas se sentem nesse processo:

[logo] 

Akiposso+

Solução: um app social que faça sentido e realmente proporcione o que as pessoas querem 

Depois de muita pesquisa e ideação, chegamos numa solução que traz o que as pessoas querem através da tecnologia: um app social, com um MVP (produto mínimo viável) testado com 400 pessoas. 

Podemos resumir em uma palavra: sucesso. 

Isso porque

→  foi desenvolvido um app que pode ser acessado em navegadores (app.akipossomais.org), para não comprometer a memória desses smartphones, já que identificamos que muitas dessas pessoas usam celulares de modelos mais antigos, com pouco espaço.

→ Nesse app, há oportunidades de emprego, informações de utilidade pública, cursos e canais de estudos, ferramentas para ajudar as pessoas a empreenderem, acesso a iniciativas de esporte, lazer, autoestima, dentre outras possibilidades, fora as que ainda vão chegar. 

→ Co-criamos conceitos de gamificação com programa de fidelidade que engajam as pessoas a consumirem conteúdos e fazerem cursos. Essas atividades geram pontos que podem ser trocados por recarga de créditos para celular, vale-compras nos mercados locais, e outras utilidades.  que são oferecidas por parcerias com empresas incríveis como , Unilever, Universidades São Judas, Instituto Ânima, Dr. Consulta, e várias outras que chegaram para fortalecer essa iniciativa. 

Resultados 

O Akiposso+ tem apenas um ano e meio de existência e já celebra belos feitos: 

  • 50 mil pessoas impactadas indiretamente

  • 10 mil pessoas cadastradas no aplicativo

  • Mais de 10 mil pedidos de oportunidades, especialmente empregos, mas também muitas buscando capacitação. 

  • Ações presenciais em paralelo em 3 comunidades em São Paulo, 

  • Prospecção contínua de parcerias com ongs, associações, institutos e empresas

  • Anjos da Akiposso+, que são jovens moradores das comunidades que usaram o app, ajudam as pessoas de suas comunidades e/ou as que não têm acesso à internet, a se cadastrarem e se beneficiarem dos serviços e parcerias. 

E agora?

O app social  já conseguiu grandes feitos. Além do aprimoramento constante do produto e da pesquisa para descobrir outras personas, Priya e Aurora contam que 2022 é o ano da escalabilidade. A ambição neste ano é atingir 100 mil pessoas usuárias e depois expandir o projeto para o Brasil todo. 

Afinal, é muito gratificante ver pessoas que não tinham nenhuma perspectiva participando de propostas de emprego, de consultas médicas, concluindo cursos. Com as avaliações do app, percebemos a autoestima das pessoas melhorando e a vontade delas de crescerem e prosperarem além de ser comprovada, foi também viabilizada. 

Ouça essa história inspiradora no Innovation Voices, clicando aqui embaixo: 

 

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