weme no Web Summit 2019

Boa tarde Brasil, Boa Noite Lisboa! Noite de Abertura Web Summit 2019. #somosumarede

Como foi a primeira noite do Web Summit Lisboa 2019

Confesso a vocês que antes mesmo de chegar em Lisboa, já tinha começado a escrever esse artigo sobre a tal abertura do Web Summit deste ano num guardanapo no aeroporto. Aqueles dados famosos sobre o evento (que aliás você pode encontrar na aqui wikipédia rs) — 70.000+ mil pessoas, dezenas de trilhas, mais de mil palestrantes, mais de cem países… enfim. Chegando lá, sentei em um dos últimos lugares livres, bem na lateral do topo da arena.

Conseguia ver e sentir toda aquela energia, a música ritmada, os cubos coloridos que compunham o cenário do palco, várias línguas passando por você no mesmo metro quadrado, as imagens dos telões que contavam sobre as mudanças que o mundo vem vivendo.. apaguei mentalmente meu texto de guardanapo e vamos recomeçar dali.

A primeira coisa que somos convidados a fazer pelo CEO do evento, Paddy Cosgrave, é cumprimentar pelo menos duas pessoas ao nosso redor — conheci o Stephan, da Espanha, que aliás já foi a Campinas a trabalho :) e a Carol do Cazaquistão que, assim como eu, estava indo a Europa pela primeira vez especialmente pra participar do evento. O mesmo Paddy, em uma entrevista para o podcast Eureka 166 (você pode conferir aqui), diz que o Web Summit não é mais um evento só sobre tecnologia — é um evento sobre coisas; e a tecnologia é só um componente, uma ferramenta, um background que cruza esses assuntos (no Web Summit temos mais de 30 trilhas que vão de deep tech a automóveis e música).

Aliás, quem falou muito sobre o papel da tecnologia nos dias de hoje foi Eduard Snowden, ex funcionário da agência de segurança dos EUA que, em 2013, vazou informações sobre o programa de vigilância inapropriada da população do mundo todo por parte do governo americano (relembre sobre o caso aqui). Atualmente exilado na Russia, Snowden foi a atração principal da noite participando via chamada de vídeo. Ao ser indagado sobre se a tecnologia está mais ajudando ou atrapalhando a criação de um mundo seguro e livre, Snowden fala que a tecnologia é neutra, ela na verdade é só a amplificação do poder humano. Mas com a atual concentração desse poder com instituições específicas, devemos nos indagar se o ganhos que temos valem os custos que pagamos:

“Nós legalizamos o abuso das pessoas. Fizemos um sistema que faz as pessoas vulneráveis a quem é privilegiado (cita facebook e a amazon). Os modelos de negócio deles são lindos, mas estamos deixando-os resolver sobre quem, o que e quando pode-se ou não dizer algo na internet.”

Snowden criticou a RGPD (regulamento geral sobre a proteção de dados europeu), dizendo que o principal problema não é a proteção dos dados, e sim suas coletas — que se feitas de modo ilegal, de nada adianta estarem “protegidos” depois de coletados.

“Coleta e proteção de dados ainda são conceitos muito abstratos pras pessoas. Mas na verdade o que eles estão manipulando não são os dados, são as pessoas. Você é que está sendo manipulado”.

Com a frase “the way to protecting anyone is to protect everyone”, Snowden terminou sua participação cheia de provocações sobre comportamento, democracia e o papel de cada um nesse contexto.

Voltando a arena de abertura, com o tempo super cronometrado o palco ia se moldando para receber os diferentes participantes, que incluia mesas sobre diversidade na tecnologia e facilitação de acesso à àgua em diferentes partes do mundo.

Quem, porém, falou só de tecnologia deixando a política de lado foi um dos VPs da Huawei, Guo Ping — apesar da empresa estar passando por bloqueio comercial com os EUA e aliados. Ele fez um pitch sobre a tecnologia 5G associado a outras tecnologias como IA e Cloud. Jaden Smith (fundador da Just Water e filho de Will Smith) também esteve por lá contando sobre sua abordagem de como vem transformando a luta por acesso a água em algo “cool”, associado com marcas de lifestyle para engajar mais pessoas — você pode dar uma olhada aqui.

Esse texto é só um Oi Lisboa,

durante os próximos três dias vamos trazer os highlights de algumas trilhas do evento — eu estarei acompanhando as trilhas de Deep Tech (novas aplicações de tecnologias como IA e robótica em diferentes indústrias) e Health Tech; O Mauricio Bueno seguirá as trilhas de Future Societies, trazendo discussões sobre como a tecnologia está transformando o jeito de como vivemos, trabalhamos, aprendemos e nos divertimos e a trilha de Startup University; Já a @ Luiza Arnsten vai nos contar o que tem rolado em Corporate Innovation (alô, rede weme! ❤) e também a de Growth. Os links da trilhas estão aqui, se tiver alguma que tenha curiosidade para ouvir algum talk específico, fala pra gente que damos uma espiadinha pra você :)

Agora depois da abertura vai rolar o Night Summit, um ambiente para jantares, drinks e muita conversa. Me despeço por aqui, meu bacalhau vai esfriar! Até amanhã!

:: NOTA DE RODAPÉ ::

Sabe, antes de pousar em Lisboa, estive em Budapeste, e lá assisti a umas aulas na Universidade da cidade. Uma delas entrei aleatoriamente e por acaso era de uma matéria que estou cursando esse semestre na minha universidade em Campinas. A aula era em húngaro, não estava entendendo nada. Mas quando o professor abre os slides, eles eram exatamente os mesmos que meu professor no Brasil havia utilizado algumas semanas antes; agora era como se eu tivesse entendendo tudo- só não peguei uma piada que o professor fez em húngaro, a sala toda riu, pareceu muito boa.

A partir daí ignorei a aula e comecei a pensar em como no mundo todo, em cada uma das salas ou video aulas, as pessoas estão aprendendo as mesmas coisas, nos mesmos livros, slides.. como diria minha mãe “só muda o endereço”. Me senti muito igual aquelas dezenas de alunos no auditório e comecei a pensar o que me tornava diferente deles. Pensei nas histórias que tenho pra contar, nas experiências que vivi, nas pessoas que encontrei, nas filosofias que acredito, nas discussões sobre assuntos não ortodóxos.

Estamos aqui no Web Summit pra colecionar mais experiências, ideias, pessoas, histórias, filosofias e discussões — faço esse convite off pra vocês encararem esses artigos como uma porta pra conhecer mais coisas diferentes, conversar sobre, ir buscar mais sobre o que vocês acharem interessante, ou também falar que na verdade isso aqui é perda de tempo, não sei.

O que você tem pra contar de diferente dos húngaros?

Pode até ser a piada no meio da aula, rs.

Agora sim, boa noite :)