Transformação digital nua e crua

Aqui na weme, transformação digital é trending topic e é uma das prioridades em quase todas as nossas empresas pareceiras. Em uma pesquisa global da McKinsey em 2018, mais de 8 em cada 10 entrevistados responderam que suas empresas tiveram esforços na área nos últimos 5 anos [1].

Querendo ou não, "transformação digital" se tornou uma buzzword para descrever o processo de tornar empresas mais tradicionais em digitalmente nativas, mas isso nem sempre basta para traduzir o conceito de "transformação" como um todo.

Então vamos lá: o que de fato é a tal da transformação digital?

Transformação digital é uma mudança organizacional estrategicamente planejada que empodera times com novos métodos para criar estratégias altamente responsivas e adaptáveis para o novo contexto


Quando as pessoas falam de transformação digital, geralmente se referem a empresas que possuem processos e interações analógicas (por exemplo: bancos que possuem agências físicas).

"Ah Celso, então pra eu trazer transformação digital pra minha empresa, não é só digitalizar meus processos e interações com clientes?"

Afirmação forte, colega.

A transformação digital tem muito mais a ver com cultura que se instala na empresa. A digitalização é uma consequência da transformação cultural. Quando digitalizamos algo, nós:

  • Traçamos uma visão sistêmica do processo e dos agentes que fazem parte
  • Estudamos várias ferramentas que possibilitam a nova interação digital, seja internamente ou com clientes, até achar aquela que tem todas as funcionalidades que precisa
  • Traduzimos o processo para o ambiente digital, lidando com vários ajustes ao longo do caminho
  • Adaptamos todos os processos que possuem interface com o processo que você acabou de digitalizar
  • Comunicamos/alinhamos/convencemos as pessoas que vão mudar seu hábito para o digital (dependendo do nível de centrismo no usuário)

Sem falar dos dados que são (esperançosamente) coletados e as decisões que isso permite tomar.

Tá, mas como acelerar a transformação digital e a digitalização nas empresa no curto prazo?

Já parou pra pensar em quanto dinheiro é investido em iniciativas digitais no mundo? De acordo com a Harvard Business Review [2], em 2018 foram investidos US$ 1,3 trilhões. O fato é que boa parte desse dinheiro vai para projetos que não vão dar certo. Mais precisamente 70%, de acordo com a mesma matéria.

Isso tudo resulta em mais de US$ 900 bilhões de dólares mal utilizados. Para se ter uma referência, isso é:

  • Metade do PIB brasileiro
  • 8 vezes o patrimônio líquido de Jeff Bezos
  • 70% do valor da Apple

Então vamos à pergunta dourada:

Como faço para estar entre os 30% que dão certo?

Aqui na weme, acreditamos que uma abordagem holística é fundamental para uma solução eficaz. Alinhar estratégia e iniciativas é fundamental para que cada projeto faça parte de um objetivo maior e que esteja alinhado com outras iniciativas na empresa.

1. Entenda as motivações da empresa por trás dos projetos

O ideal é que as iniciativas digitais sejam desdobramentos de uma estratégia mais geral da empresa. Porém, ter uma estratégia acessível e meticulosamente desdobrada é uma tarefa desafiadora quando olhamos para o contexto de grandes empresas.

Ao mesmo tempo, muitos clientes vêm até nós com uma solução para ser tirada do papel. A vontade de fazer acontecer é animadora, porém muitas vezes a mira ainda precisa ser calibrada.

Aqui na weme, sempre embasamos uma ideia na dor de um usuário, assim, garantimos que a ideia realmente servirá para alguém e sabemos a quem procurar para entender seus maiores desafios.

Em contrapartida, não adianta trazer para a prática uma ideia que não tem alinhamento com a empresa.

Com isso, para atingir o equilíbrio entre o user-centered e o pragmatismo corporativo, trazemos o framework BUS → Business, User, Solution [3]:

A ideia é relativamente simples:

  • Uma solução é dependente de um problema do usuário para que seja efetiva. Caso contrário o projeto irá patinar, mudando constantemente de escopo e proposta de valor enquanto tenta encontrar fit com um público-alvo.
  • O problema de um grupo de usuários, por sua vez, é dependente de um problema do negócio para se apoiar. Caso contrário, o projeto não terá durabilidade dentro da empresa.

Traçando uma relação de dependência entre a solução, o problema do usuário e o problema do business, você possui uma visão holística do projeto, entendendo o que o motiva acontecer.

2. Foque em projetos-piloto

Às vezes, tudo que uma empresa precisa para comprar uma ideia é uma vitória. Algo tangível que a faça acreditar que aquilo pode dar certo.

Os projetos-piloto podem ajudar a resolver esse dilema. Nem todo projeto será bem-sucedido, mas todos ajudarão a entender a abordagem que funciona para você e ganhará apoio da empresa para garantir mais budget e continuar o projeto.

Para tirar do papel um projeto-piloto, aqui vai uma dica de ouro: reduza o escopo para o que realmente é essencial.

Os MVPs são forte aliados nesse processo. Os Produtos Mínimos Viáveis (Minimum Viable Products, em inglês) são as versões mais simples de produtos que podem ser lançados com uma quantidade mínima de esforço e desenvolvimento.

Nos projetos por aqui, estamos em constante exercício de delimitar o escopo de um projeto e testar iterativamente. Dessa forma, garantimos que o que sobra é essencial para a construção do produto.

3. Empodere pessoas para que trabalhem de novas maneiras

Transformação digital requer mudanças culturais e comportamentais. Colaboração ativa, centrar no usuário e correr riscos calculados são alguns exemplos.

Acreditamos que a melhor forma de desenvolver essas capacidades é na prática e por isso aqui na weme, fazemos tudo a quatro mãos. Dessa forma, não só entregamos algo altamente alinhado com as expectativas de cada projeto, mas também plantamos uma semente em cada participante. Quando voltam para suas empresas, cada um vira porta-bandeira de metodologias contemporâneas. Da transformação à sobrevivência digital, nós lançamos junto dessas empresas as primeiras versões de soluções digitais centradas no usuário e da forma mais simples e rápida possível para aprender, iterar e escalar.

Para clarear ainda mais esse cenário, faremos uma live falando sobre transformação digital, seus impactos nas grandes empresas e como fazer parte das 30% que vão ser bem-sucedidas na sua jornada digital no contexto atual:


Referências

Unlocking success in digital transformations

Digital Transformation Is Not About Technology

The BUS product design framework