Daniel Cobianchi

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OKRs e Gestão da Estratégia.

OKRS são Objetivos e Resultados-chave. Objetivos é O QUE deve ser alcançado. São significativos, concretos, orientados por ações e inspiradores. Os Resultados Chave monitoram COMO chegamos aos Objetivos. São específicos e limitados no tempo, agressivos, porém realistas, mensuráveis e verificáveis. Para cada Objetivo, definimos cerca de 3 a 5 Resultados Chave.

Planejamento. Desdobramento de estratégia. Cascateamento de objetivos. Estratégia global. Metas. Descer níveis. Top down.

Quando o assunto é "estratégia", todas essas palavras estão bem presentes entre executivos e profissionais de grandes empresas. É fato que a forma como resolvíamos os problemas e fazíamos negócios não fazem mais sentido. O contexto mudou, logo, resolver os problemas do mesmo jeito não é mais adequado, isso porque os problemas mudaram!

Você pode olhar para uma organização estabelecida e pensar que "fazer assim sempre deu certo, logo, por que mudar?". A grande questão é que o caminho que fez com que os negócios chegassem até aqui não vai mais, necessariamente, as levar adiante. O que precisamos é honrar esse caminho construído e conectar novas ferramentas e um jeito de pensar contemporâneo - isso faz as empresas manterem e aumentarem sua relevância daqui em diante.

Trabalhando com Design Estratégico, meu dia a dia é proporcionar um ambiente coerente com o negócio e contemporâneo para discutir e projetar estratégia de uma forma ágil e consistente. É nesse contexto que conversamos sobre gestão contemporânea de estratégia e novas metodologias.

O mundo mudou (e muda o tempo todo). Essas mudanças apresentam um desafio paras as empresas: como acompanhar tudo isso e projetar continuamente estratégias que tenham conexão com essa nova realidade?

OKRs não são de hoje


Garantir que a empresa concentre esforços nas mesmas questões importantes em toda a organização é uma busca contínua de todos os executivos e empreendedores, inclusive de Andy Grove, o ex-CEO da Intel, que resolveu, na década de 90, criar uma abordagem para resolver esse desafio. Andy é o criador dos OKRs (Objectives & Key Results) uma abordagem que simplifica a forma de encarar os Objetivos Estratégicos de uma empresa e cria alinhamento e engajamento em torno desses objetivos.


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Os OKRs ficaram famosos após o Google adotá-los, ainda quando a big tech tinha cerca de 30 funcionários, lá em 1999.  Depois disso, grandes empresas como Amazon, LinkedIn, Disney, Walmart e Nubank também começaram a utilizar essa metodologia e alcançar resultados incríveis.

Empresas que utilizam OKRs: Google, LinkedIn, Oracle, Dropbox, Spotify, Adobe, Amazon, NuBank, OLX, Walmart, BMW e Disney.

Quem apresentou os OKRs ao Google, em torno de uma mesa de ping pong (é sério!) foi John Doerr. John foi um executivo que trabalhou e aprendeu sobre OKRs na Intel e, em 1999, tinha acabado de se tornar investidor do Google e resolveu apresentar a abordagem dos OKRs para a empresa que em 2018 atingiu a marca 85.000 colaboradores. De 30 para 85.000 - haja OKRs!

O que é OKR?

OKRs é a combinação de Objetivos (O) e Resultados Chaves (KRs.).

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Os Objetivos é O QUE deve ser alcançado. São significativos, concretos, orientados por ações e inspiradores. Os Resultados Chave monitoram COMO chegamos aos Objetivos. São específicos e limitados no tempo, agressivos, porém realistas, mensuráveis e verificáveis. Para cada Objetivo, definimos cerca de 3 a 5 Resultados Chave.

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E por que OKRs funcionam? Porque é uma abordagem simples para criar alinhamento e engajamento em torno metas mensuráveis e ambiciosas.

E como OKRs dialoga com o ágil? Basicamente atendendo algumas características como: Alinhamento; Clareza na comunicação e foco; Engajamento; Responsabilidade; Foco e disciplina; E rapidez.

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A diferença entre OKR e KPI

É muito comum fazermos a comparação entre OKRs e KPIs. De fato os OKRs podem se assemelhar aos KPIs, justamente pelo fato de terem o "K", de "Key". Ambos trabalham com indicadores-chave, mas temos uma grande diferença.

Enquanto os OKRs são a ligação entre a ambição e a realidade, os KPIs medem o sucesso, a saída, a quantidade ou a qualidade de algo em andamento. OKRs para aquilo que será testado e criado. KPIs para aquilo que já sei, que já é o meu negócio e eu acompanho.

De forma simples: imagine que você fará uma viagem.

Os passos de uma viagem podem ser:

  1. Pensar sobre um roteiro e defini-lo;
  2. Usar o Waze para definir a rota até o destino;
  3. Ficar de olho no painel de controle do carro para saber se está tudo OK.

O que essa viagem tem a ver com o tema que estamos falando?

  1. O roteiro é a estratégia e responde "Onde eu quero ir?";
  2. O Waze é o OKR e responde "Estou no caminho certo?";
  3. E o painel de controle é o KPI, que responde se "Está tudo OK?".
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Exemplos de OKR

Existe uma fórmula para construir OKRs?

Sim! A fórmula básica dos OKRs é a seguinte: Eu vou ______(objetivo)_______, medido por _____(resultados-chave)______.

Por exemplo: Eu vou bater mais recordes que a Marta, medido por número de clientes, lançamento de novo produto, lucro e tempo média de entrega.

Assim, esse OKR poderia ficar dessa forma:

Objetivo: Bater mais recordes que a Marta

Resultado-chave 1: Atingir 1.000 clientes

Resultado-chave 2: Lançar 1 novo produto para o varejo

Resultado-chave 3: Alcançar lucro de R$1 milhão

Resultado-chave 4: Ter tempo média de entrega de 3 dias

Outro exemplo:

Objetivo: Gerar os conteúdos mais admirados

Resultado-chave 1: Aumentar 100% do tráfego orgânico no blog

Resultado-chave 2: Atingir alcance de 100.000 pessoas

Resultado-chave 3: Implementar 4 novos canais

Criar alinhamento e determinar foco na organização: isso é o que todos queremos. Então aqui vão algumas dicas para começar!


template de construção de okr
Template de construção de OKRs

Boas práticas em OKRs

1) Fomente a cultura de OKRs: estude, personalize para a sua organização e defina cerimônias e um acompanhamento sistemático (já existem softwares de OKRs que ajudam no acompanhamento e gestão dos OKRs).

2) Tenha um OKR master: defina um colaborador ou um grupo de pessoas da organização responsáveis por acompanhar os OKRs e tirar as barreiras dos demais.

3) Compartilhe aprendizados: crie espaços e momentos na organização para os colaboradores compartilharem seus desafios sobre OKRs e como têm resolvido.

4) Encerre ciclos e comece um novo: assim que finalizar o primeiro ciclo (que, normalmente, é trimestral) dos OKRs, encerre com todo o time, compartilhe aprendizados e defina os OKRs do ciclo seguinte.


Tá, e agora?

Esses são os primeiros passos na jornada de OKRs. Aqui está a base para começar a entender e experimentar dessa cultura. Depois disso, novos temas vão surgir para você: governança, cerimônias, ciclos… e aí são novas conversas!

Aqui na weme, além de usarmos os OKRs há mais de quatro anos, apoiamos empresas dos mais variados portes e segmentos na definição de objetivos estratégicos e criação das OKRs.

Quando falamos de mudança, é bem comum pensamos em transformação, inovação, transformação digital... essas keywords não existem à toa. Elas demonstram que existem novos temas, novas abordagens, novas ferramentas para abordar aquilo que sempre fizemos do mesmo jeito.

Então, a dica é: comece. Feito é melhor do que perfeito. Você precisa começar a dar os primeiros passos.

Muita gente nos pergunta: "Preciso implementar OKRs na minha empresa inteira de uma vez?"; "Todos os colaboradores devem ter OKRs?"; "Posso colocar um KPI dentro de um OKR?".

A teoria nos trás alguns caminhos, porém, mais poderoso do que a teoria em si, é o que faz mais sentido para cada organização. Depende do tamanho, depende da disposição da liderança. Então, de novo: comece. Não é num primeiro ciclo de OKRs que tudo estará ótimo, todos os objetivos atingidos, a cultura perfeita. É testando, errando, aprendendo, iterando, testando de novo… Experimente!


Referências

DOERR, John. Avalie o que importa: como o Google, Bono Vox e a Fundação Gates sacudiram o mundo com os OKRs. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019

REEVES, Martin. Sua estratégia precisa de uma estratégia: como eleger e colocar em prática a melhor abordagem. São Paulo: DVS Editora, 2016.

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