Thu Oliveira

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O que é ESG e sua relação com a inovação

ESG é uma sigla que vem do inglês e significa Environmental, Social and Governance. Pode ser traduzido para o nosso bom e velho português como ambiental, social e governança (ASG). É sempre bom começar dando nomes aos bois :)

Saber o que cada letra significa também não adianta muita coisa. Diferente do que muitos pensam, ESG não é um checklist de boas práticas e tampouco um selo de qualidade, como os nossos ISOs. 

Essas três palavrinhas estão aí para trazer algumas definições para sustentabilidade, que acaba sendo um termo bem amplo, e também dar algumas direções para o desenvolvimento sustentável das organizações e ser um tipo de termômetro para saber como está a temperatura de um negócio em relação à sobrevivência no futuro. 

Além dos nomes aos bois, entender um pouco do contexto também cai muito bem.

Vamos lá.

O que é o desenvolvimento sustentável de um negócio?

Lá no começo dos anos 80, a gente tinha uma máxima rolando pelo mercado: empresas existem para dar lucro aos seus acionistas. Tudo que fosse diferente disso era considerado desvio da real função.


Não demorou muito para que começassem a questionar essa afirmação. Foi em 84 que Edward Freeman, filósofo e professor, lançou o livro "Strategic Management: A Stakeholder Approach". 


Nessa obra, Edward trouxe uma abordagem que deu início ao conceito de sustentabilidade para um negócio.


Para ele, as empresas existem não só para dar lucro aos acionistas, mas para todas as partes interessadas no negócio.


Em meio a esse burburinho, em 87 a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento fez um relatório que trazia o desenvolvimento sustentável sob a ótica do crescimento da sociedade e dos limites da natureza.


E nos anos 90, a expressão que podemos chamar de mãe do ESG começou a ganhar força no mercado, o "tripple bottom line", que pode ser ilustrada como na imagem abaixo:


tripple bottom line



Esse tripé mostra para gente que um negócio sustentável é aquele que acompanha os resultados do pilar social, do ambiental e do financeiro de uma maneira equilibrada. 

O que é ESG, então?


Foi em 2004 que essas três letras aparecem juntas pela primeira vez em um relatório chamado "who cares wins" - da tradução, ganha quem se importa, resultado de uma iniciativa da ONU com 20 instituições financeiras de 9 países.


Então, o ESG vem como uma forma de garantir e incentivar o comprometimento ambiental, social e de governança das empresas. Além de ter se tornado um índice importante para guiar o mercado de investimento - dos bancos do varejo até grandes investidores -  na hora de aumentar ou diminuir sua posição em uma empresa ou até sair de uma carteira.


Cuidar dos pilares de ESG é uma forma da empresa se responsabilizar e se comprometer com os consumidores, fornecedores, colaboradores e também, como vimos aí em cima, seus investidores, ou seja, a cadeia como um todo.


Valoração no mercado e reputação da marca são duas variáveis que estão estritamente ligadas às práticas ESG.

Exemplos de iniciativas ESG

E - Environment (Ambiente)


Esse pilar é o que mais atrai os olhares dos fundos de investimentos. E a ideia central dele é que a empresa olhe para além das regulamentações e das obrigações legais para fazer alguma coisa a respeito das ameaças ambientais, sempre pensando nos impactos de longo prazo e como a organização pode atuar como uma força positiva e proativa em relação a isso.


Como trazer esses esforços para a realidade?


Olhando para a sustentabilidade como parte integrada à estratégia da empresa!

Exemplos de temas relacionados ao ambiente:

  • Descarte de resíduos;
  • Energias alternativas;
  • Emissão de carbono;
  • Consumo de recursos naturais (água);
  • Economia Circular;
  • Rastreabilidade da cadeia;
  • Desmatamento.



Um exemplo legal sobre como aplicar esses esforços no negócio é o trabalho que o iFood e a Suzano realizaram em prol do aumento do uso de embalagens sustentáveis em serviços de delivery. 


Esse projeto contempla um ponto muito chave no sucesso de iniciativas nessa linha: para criar soluções sustentáveis, é preciso levar em conta as pessoas envolvidas. De nada adianta criar a embalagem mais sustentável do mundo se ela não for útil ou não gerar valor para as pessoas que interagem com ela.


Por esse motivo, essa jornada - conduzida pela weme em conjunto com a Suzano e o iFood - começou pelo entendimento das pessoas envolvidas na cadeia de delivery, como donos e donas de restaurantes, entregadores e consumidores. 


Ao longo dessa compreensão, mapeamos as principais dores, necessidades e motivadores das nossas personas e, com isso, conseguimos gerar insights valiosos para responder algumas dúvidas e encontrar oportunidades que aliam sustentabilidade e pessoas. 


E foi a partir desses insights centrados nas pessoas que foi criado o Desafio Embalagem do Futuro, que convidou pessoas de todo o país a criar novos modelos de embalagens de papel, livres de plástico, para a cadeia de delivery. 


Essa iniciativa, como um todo, representa muito do que a construção de uma iniciativa sustentável, pois pensa no impacto ambiental de forma integrada com os agentes do ecossistema e pessoas envolvidas.


Desafio embalagem do futuro - Ifood + Suzano + weme

S - Social


Esse é o pilar da relação do seu negócio com as pessoas. Os clientes, os fornecedores, os parceiros, os colaboradores e até a comunidade em que sua empresa está inserida.

Exemplos de temas relacionados ao social:

  • Segurança no trabalho;
  • Saúde mental e bem estar;
  • Satisfação dos clientes;
  • Diversidade e inclusão;
  • Proteção de dados e privacidade (LGPD);
  • Atração e retenção de talentos;
  • Leis trabalhistas.


Muitos dos projetos da weme envolvem esse pilar. Cada vez mais, as grandes empresas têm se preocupado com o desenvolvimento de iniciativas que sejam centradas nas pessoas (tanto seus clientes, como seus parceiros e funcionários). Um exemplo de parte relevante e crescente desse desenvolvimento é o projeto que conduzimos com a Worldline sobre Diversidade e Inclusão. 


Construir uma empresa diversa com equipes multiculturais, pluralidade em gênero, etnia, faixa etária, orientação sexual e crenças é um desafio para todas as organizações. Para tornar esse cenário mais complexo, a diversidade, por si só, não garante a inclusão dos grupos minoritários no ambiente de trabalho e não os coloca em igualdade em relação aos grupos majoritários.


Com o objetivo de tornar seu processo seletivo mais inclusivo e diverso, Worldline e weme uniram forças para explorar esse desafio sob a ótica da liderança. Através de uma abordagem centrada no ser humano, a equipe do projeto descobriu que antes de partir para mudanças expressivas nos seus processos, a liderança precisava se atualizar sobre o tema e compreender qual o seu papel como líder inclusivo.


Para isso, equipe do projeto e líderes desenvolveram o formato ideal de uma jornada de aprendizado sobre diversidade e inclusão, que também incluía um momento no qual líderes e Ingenico pudessem criar em conjunto o papel do líder inclusivo na organização.

Como a sua empresa tem cuidado das pessoas conectadas a ela, hein?

G - Governance (Governança)


O terceiro pilar é o de governança, ou seja, aquele pilar que olha para a forma como a empresa é administrada. E não é só sobre a empresa si, mas os programas e as iniciativas que acontecem dentro dela também.


Exemplos de temas relacionados à governança:

  • Transparência;
  • Ética;
  • Práticas anticorrupção;
  • Diversidade no conselho;
  • Responsabilidade perante a riscos.


Quero destacar aqui  que cada segmento pode endereçar um material diferente para a sustentabilidade. O que é sustentabilidade para o chão de fábrica? O que é sustentabilidade para uma empresa digital? 

Para encaixar essas respostas em um mesmo lugar, existe uma ferramenta que aparece em vários relatórios de sustentabilidade: a matriz de materialidade.



Matriz de materialidade


Nela, a gente consegue separar em quadrantes os materiais, ou seja, quais são os temas que serão priorizados no assunto sustentabilidade.


ESG e Inovação: como esses dois temas se conectam?


Como eu disse lá no começo do artigo, é sempre bom começar dando nomes aos bois.


E dar significado à inovação é mais simples do que parece.


Inovar em alguma coisa é aprimorar ou substituir agregando valor para as pessoas. Resumindo de forma simples: é sobre mudança que gera valor para alguém. E nem sempre isso precisa estar ligado à tecnologia ou a grandes invenções. Diz muito mais sobre pessoas, né? Até sobre o planeta :)


E se tem uma coisa que as empresas precisam prestar atenção é nisso: a entrega de valor. Afinal, os consumidores estão extremamente mais criteriosos e exigentes e essas práticas de ESG podem interferir diretamente na hora deles escolherem uma marca. Nesse sentido, não há mais inovação de verdade que não contemple os impactos ambientais, por exemplo.


Sobre as práticas relacionadas ao ambiente, as ameaças ambientais podem e devem servir de inspiração tanto para o aprimoramento de atuais negócios quanto para a criação de novos.


Já sobre pessoas, colaboradores mais satisfeitos e mais treinados entregam bens e serviços de melhor qualidade, tendo como consequência maior satisfação dos consumidores. Além de que uma equipe diversa tem discussões muito mais ricas! 


E por fim, sobre a governança, a liderança precisa ter envolvimento direto com todos os outros pilares e práticas. Assim, garante que a empresa esteja alinhada e se posicione a respeito do negócio, das pessoas e do planeta. É sobre sustentabilidade como parte da cultura organizacional.

Inclusive, do dia 13 ao dia 17 de setembro, vamos ter o nosso evento Design the Future. Um espaço para discutirmos juntos o para explorar futuros desejáveis em que o design muda o jogo das organizações de amanhã.

Um dos temas é a conexão do Design com o ESG. Vamos participar?

Só clicar nesse banner e fazer sua inscrição. Vou adorar se você participar.



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