Carolina Kia, Jefferson Aguilar e Victor Hugo Rocha

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Design

Metaverso e design: como fizemos nosso ambiente centrado em pessoas

Você com certeza já ouviu falar sobre metaverso, mas o termo ainda permanece incompreendido. A maioria das pessoas têm dificuldade em responder o que exatamente é e por que precisamos nos importar e organizações têm tentado compreender os impactos e oportunidades para o seu negócio. Neste artigo, compartilhamos com você a compreensão inicial da weme sobre o tema e o que temos experimentado internamente e ao lado de clientes, que são líderes de grandes organizações.

O metaverso

Uma das primeiras vezes em que o termo foi citado, no livro de ficção científica Snow Crash de Neal Stephenson em 1992, referia-se a interações imersivas e digitais entre as pessoas. De lá para cá, ainda não chegamos a uma definição singular sobre o que é e poderia ser o metaverso. O que sabemos é que, atualmente, as pessoas ficam em média 7 horas por dia conectadas e utilizam tecnologias digitais para se relacionar, trabalhar, fazer compras e se divertir.

De forma geral, o metaverso trata da convergência das nossas vidas físicas e digitais - podendo ser compreendido como a nossa existência virtual para todo tipo de atividade. Assim, podemos realizar essas atividades cotidianas em um mundo simulado por tecnologias de realidade virtual, ou no mundo físico, por meio da sobreposição de camadas virtuais (como o uso de smartphones, smartwatches, óculos de realidade virtual e dispositivos para realidade aumentada, IoT, avatares, etc).

Mais importante do que chegar a uma definição consensual, é entender alguns pilares que serão a base das nossas experiências no metaverso. A partir de uma série de referências que você encontra ao final deste artigo, consolidamos 4 destes principais pilares.

4 pilares do metaverso

Social 

Por meio do metaverso, as pessoas terão a possibilidade de fortalecer seus relacionamentos atuais, criar novas conexões e fomentar novas comunidades. Será possível se conectar com outras pessoas em diferentes contextos, seja trabalhando, fazendo compras ou indo a um show. Aqui haverá uma coexistência entre a sociabilidade física e digital, em que os tipos de interação se conectam e se complementam para ampliar as possibilidades de convívio.

Persistente

Será um espaço de existência contínua, ou seja, a vida por lá continua fluindo, as pessoas estando online ou offline. Não existe um restart toda vez que nos desconectamos.

Participativo 

O metaverso será um catalisador da criatividade e as pessoas farão parte da sua criação. Irão se envolver com os conteúdos de forma bastante ativa, co-criando a partir da imaginação de outras pessoas e assumindo um papel muito mais ativo no desenvolvimento destes ambientes virtuais e suas experiências sociais. Além disso, nossas ações irão impactar os ambientes e outras pessoas em tempo real.

Descentralizado

O ecossistema do metaverso vislumbra uma propriedade distribuída, democratizada e transparente, sem grandes marcas e organizações dominantes. O metaverso não será vinculado e limitado por nenhuma plataforma ou fornecedor específico e nossas posses digitais e nossa identidade virtual irão viajar inalteradas por diferentes mundos virtuais.

O metaverso, para nós, é sobre como as pessoas interagem umas com as outras nesse ambiente virtual e imersivo. É sobre como elas se manifestam, se comunicam e aprendem. É sobre os espaços de interação que elas criam para si e para as outras pessoas.

Fotografia de um homem branco usando óculos de realidade virtual e gesticulando com as mãos. Há uma tela ao fundo com alguns grafismos que sugerem interação virtual.
Metaverso e design: como podemos projetar espaços centrados nas pessoas?

E o design?

Enquanto as grandes empresas de tecnologia buscam construir plataformas e hardwares que deem conta de espaços multissensoriais e imersivos na web, na weme nós focamos em compreender aquilo que está na nossa essência: as pessoas e os novos comportamentos emergentes desse contexto de interações digitais, que hoje imitam a realidade física para um dia transbordar para infinitas novas possibilidades de conviver, estar e ser. 

Na weme, acreditamos que a transformação não acontece somente por conta da tecnologia em si, mas também pelo impacto da tecnologia nos comportamentos das pessoas. E a nossa maneira de compreender tudo isso para projetar novas soluções que impactam positivamente a vida das pessoas, é por meio do Design.

Assim, nós começamos a experimentar o metaverso dentro de casa: a partir de uma estrutura inspirada no metaverso de baixa fidelidade, com risco reduzido, mas que proporciona um valioso laboratório sobre como as pessoas se apropriam desses espaços no dia a dia de trabalho não só para trabalhar, mas também para manifestarem suas identidades por meio de avatares, socializarem, aprenderem e ressignificarem suas rotinas. 

Como toda transformação acontece por meio de tentativas e algumas dão mais certo que outras, entendemos que prototipar é tomar consciência disso e adotar esse processo de experimentação de maneira intencional, reduzindo riscos inerentes às mudanças. Foi de maneira consciente que decidimos testar uma nova experiência de trabalho inspirada no metaverso para as pessoas wemers e também para clientes. A cada nova reunião, a cada nova experiência e a cada cliente que experimentava o nosso espaço, o nosso teste foi dando certo e validando nossas hipóteses de trabalho remoto.

Captura de tela de um espaço virtual criado na plataforma Gather. Há uma floresta, muitos avatares e, acima, há janelas exibindo imagens das webcams das pessoas participantes.
Metaverso da weme: reuniões, festas, palestras, jogos e aquelas esbarradas pra um papinho rápido.

Até 2020, nosso formato de trabalho era totalmente presencial e os nossos hubs físicos eram artefatos importantes da nossa proposta de valor. Hoje, temos uma cultura remote first e a weme está espalhada por todo Brasil. Continuamos crescendo 40% ao ano de maneira acelerada, saudável e alcançamos um NPS de 90 - com mais de 50 respostas, vindas dos 15 projetos finalizados apenas este ano. Também olhamos com carinho para a jornada wemer e hoje temos um eNPS de 76 e um pulse de sentimento de 4,5 - nota que vai de 1-5, mensurada semanalmente. 

Nosso espaço virtual inspirado no metaverso é hoje um dos principais artefatos de cultura e proposta de valor, para wemers e para clientes - que interagem com diversas lideranças de design, inovação e marketing. Nosso hub virtual proporciona espaço para criar e testar novos produtos, serviços e modelos de negócios que impactam positivamente a vida das pessoas.

Começamos com o recorte da experiência de trabalho inspirada no metaverso, mas as possibilidades são inúmeras. Antes da democratização da internet e dos aplicativos, não fazíamos ideia do que viria pela frente, e alugar um imóvel ou pedir um táxi por meio de um aparelho que cabia na palma da mão era algo bastante distante e improvável. 

Design para metaversos: precisamos discutir a construção desses espaços

Não sabemos os próximos passos do metaverso e as possibilidades de um ambiente que une o mundo físico e digital. E é exatamente por isso que a lógica de design se mostra relevante: precisamos compreender as pessoas e seus comportamentos a partir desse novo contexto, identificar suas necessidades e experimentar soluções que entreguem valor. Por isso, acreditamos que, com o que temos experimentado, podemos começar a falar sobre a junção de metaverso e design. Vamos?

Se tiver interesse, participe da próxima wemetalks. Estaremos lá para bater um papo sobre tudo isso. Clique no link abaixo:

wemetalks → metaverso e design: insights e oportunidades

Esse artigo foi escrito por:

Carolina Kia, CEO e sócia

Jefferson Aguilar, designer de serviços e negócios  

e Victor Hugo Rocha, head of design da weme

Referências

Azeem’s 2022 Trends: Web 3.0, Sci-Fi Tech, and the Metaverse - Harvard Business Review

Construção Social da Tecnologia - Pinch e Bijker, 2008

DIGITAL 2022: Global Overview Report. Datareportal

How Brands Can Enter the Metaverse - Harvard Business Review

Metaverse report— Future is here Global XR indurstry insight March 2022. Deloitte China.

Microsoft’s Jared Spataro on How the Pandemic Sped Up Technological Change (and Moved Us Closer to the Metaverse) - Harvard Business Review

New trend report: Into the Metaverse. Wunderman Thompson Intelligence

Opportunities in the metaverse How businesses can explore the metaverse and navigate the hype vs. reality.  J.P. Morgan. 

Why the metaverse matters - Gather

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