Que a busca por diferentes formas de inovação é uma prática comum entre as grandes empresas a gente já sabe.

O curioso é que essa busca, geralmente, começa com o olhar voltado para fora da organização, como operações de M&A, que acabam envolvendo processos mais complexos e caros, e conexões com startups que estão indo bem no segmento. 

E buscar a inovação dentro de casa? Em que horas isso acontece?

Aqui eu deixo a primeira provocação. 

Você já ouviu algo assim: tal pessoa saiu da empresa porque foi empreender?

Será que não existe uma forma desse perfil empreendedor conseguir desenvolver suas ideias dentro da empresa em que trabalha?

Existe e é por isso que estamos aqui :)

O que é intraempreendedorismo?

O conceito de intraempreendedor veio antes do intraempreendedorismo. Ele foi definido em  1984 pelo Gifford Pinchot, fundador do Graduate Institute Bainbridge. 

Para Gifford, os intraempreendedores são aqueles que sonham, fazem e puxam para si a responsabilidade da inovação - seja ela qual for, dentro de uma organização que eles trabalham.

O intraempreendedorismo é o empreendedorismo que acontece dentro das organizações, realizado pelos seus próprios colaboradores.

Mas é qualquer pessoa que consegue empreender dentro da empresa?

Não. De acordo com uma pesquisa da Deloitte Digital, em média, 20% dos colaboradores de uma empresa tem a veia empreendedora.

E ter essa veia empreendedora não significa que a pessoa vai criar uma startup a cada 24 horas, mas faz com que esse perfil empreendedor consiga trazer novas formas para realizar suas tarefas. Além de trazer criatividade, agilidade e capacidade de fazer mais com menos.

O papel de uma organização que opta pelo intraempreendedorismo como uma das formas de fazer acontecer a inovação não é formar empreendedores, mas saber identificar e encorajar os colaboradores que têm as características empreendedoras. 

As características dos intraempreendedores

Você já sabe que é possível inovar exatamente onde você está, na sua cadeira, dentro da sua empresa. Agora, para que isso de fato aconteça, não basta apenas uma cultura organizacional que fomente o empreendedorismo, mas você também precisa desenvolver as características e habilidades certas para colocá-lo em prática.

Algumas características do perfil empreendedor já são bastante conhecidas, como a mentalidade orientada para o crescimento, criatividade e disposição ao risco.

No entanto, existem outras 5 características que achamos fundamentais para o sucesso do intraempreendedorismo:

  1. Adaptação a mudanças

    O contexto de mudanças aceleradas pode parecer ameaçador para algumas pessoas e até mesmo levar à paralisia das iniciativas de inovação, mas os intraempreendedores estão acostumados com a complexidade que isso traz. Eles são capazes de enxergar possibilidades de reinvenção a partir do caos e não se importam em adaptar a rota conforme se caminha.

    Mesmo em uma jornada cheia de incertezas e volatilidade, os intraempreendedores conseguem encontrar caminhos para adaptar ou criar modelos de negócios que resolvam desafios importantes para o contexto.


  2. Sem medo de errar

    Em muitas ocasiões, preferimos prevenir os erros do que aproveitar grandes oportunidades, causando uma estagnação pelo medo do fracasso. Mas a gente sabe que não existe inovação sem ação, né?

    As pessoas intraempreendedoras entendem que o erro faz parte da jornada de inovação e do processo de aprendizagem. O importante é errar mirando em um grande objetivo, medir, aprender e corrigir rápido.

  3. Busca por novos caminhos e não desanima com o "não"

    "Não acho que isso dará certo, porque foge totalmente do que estamos acostumados. Por aqui, as coisas já acontecem de uma certa forma e precisamos seguir à risca".

    Você já ouviu essa frase? Ela é muito comum dentro de empresas mais tradicionais.

    Entretanto, quando se deparam com uma situação assim, os intraempreendedores não se contentam. Eles honram o caminho construído até aqui, mas entendem que é necessário desafiar o status quo para encontrar novas formas de inovar

    Dessa forma, faz parte do processo coletar informações para demonstrar para as pessoas mais resistentes a importância de explorar o novo.


  4. Aprendizado contínuo

    Em tempos cada vez mais complexos, aprender rápido e aplicar aprendizados relevantes na prática é fundamental para quem quer empreender dentro das organizações.

    Com isso, as pessoas intraempreendedoras nunca param de estudar e estão sempre buscando aprimorar seus conhecimentos e responder aos desafios que encontram no percurso.

    Aqui na weme, uma das formas de estimular o aprendizado ágil e constante, é criando uma cultura de compartilhamento. Compartilhamos nossos aprendizados através de nossos eventos online, de artigos produzidos por quase todos os wemers e nas nossas reuniões gerais.


  5. Trabalhar com autonomia

    Os intraempreendedores preferem ter autonomia e liberdade para fazer suas ideias acontecerem ao invés de um escopo de trabalho mais controlado e previsível. Além disso, eles não se importam em testar novas iniciativas que não fazem parte exclusivamente do seu dia a dia, pelo contrário. Ter contato com algo novo, fora das suas responsabilidades e papéis, é um estimulante para aprender algo novo.


Por que o intraempreendedorismo é um ótimo caminho para inovar?

Você provavelmente já usou ou usa muito o serviço que eu vou te falar agora. Mas antes de dizer o nome, saiba que ele é fruto do intraempreendedorismo.

Sim, o G-mail nasceu da prática do intraempreendedorismo dentro de uma das empresas mais inovadoras do mundo, o Google.

É claro que você não precisa ser o Google para inovar (ou ter as paredes do seu escritório coloridas), mas você pode se inspirar em algumas práticas que deram certo. É por isso que eu trouxe esse exemplo aqui.

Desde 2004, eles utilizam uma metodologia conhecida como a regra dos 20%. Isso significa, na prática, que todo colaborador da empresa (de qualquer área) pode dedicar 20% do seu tempo para trabalhar em projetos paralelos ao seu escopo, desde que tenham relação com as apostas futuras da empresa. 

O intraempreendedorismo pode trazer diversos benefícios para as organizações, como gerar mais engajamento dos colaboradores para fazer melhorias em processos e operações, o que certamente resultará em inovação.

Quando isso acontece, as empresas acabam utilizando suas próprias forças e recursos internos para inovar, reduzindo custos e ganhando competitividade no mercado. Sem contar que colaboradores engajados significam maior retenção de talentos! 

Como criar um ambiente organizacional favorável para o intraempreendedorismo?

Para que o intraempreendedorismo seja transversal na empresa, ele não pode ser tratado apenas como um processo pontual de implementação de ideias. Se você quiser que a mentalidade do intraempreendedor se espalhe pela sua organização, criar uma cultura que sustente isso é o primeiro passo para o sucesso. 

Esse foi o caso da Felí, uma proptech do segmento imobiliário que atua como correspondente bancário digital e facilitação de financiamentos. 

A empresa nasceu em 2020 como resultado da reformulação do programa de intraempreendedorismo, realizado pela weme em parceria com a Bild Desenvolvimento Imobiliário e a Vitta Residencial. 

Com base na sua trajetória de intraempreendedorismo, a Fernanda Machado, cofundadora da Felí, compartilhou alguns conselhos sobre como as empresas podem criar uma cultura intraempreendedora:

  1. Construir uma mentalidade bottom-up

        Se uma das características dos intraempreendedores é a autonomia, certamente eles precisarão de          um ambiente em que suas opiniões possam fluir.

         Na gestão bottom-up, embora a alta liderança ainda seja responsável por bater o martelo em algumas          decisões, as relações hierárquicas são muito mais horizontais, permitindo a conexão entre          diferentes níveis e acelerando o processo de teste e validação de hipóteses. 

  1. Empoderar e capacitar as pessoas

          Criar um ambiente de empoderamento é fundamental para que as pessoas se sintam capazes de           fazer as ideias acontecerem e encontrem o espaço de crescimento junto da organização.

          O incentivo pode vir de várias formas: Hackathons, meetups, palestras. Vivenciar experiências e ouvir           pessoas que já percorreram boa parte do caminho pode ser uma boa fonte de inspiração para motivar           e impulsionar os colaboradores. 

  1.  Diversidade e multidisciplinaridade como regra

           Não existe inovação sem diversidade. E eu poderia parar por aqui. 

           Empresas que se preocupam em ter times diversos e multidisciplinares tendem a ter colaboradores            mais engajados. Sem contar que, através do conhecimento múltiplo e pensamento diverso, é possível            olhar para um mesmo desafio e identificar caminhos diferentes para resolvê-lo. 

  1. Desenvolver as lideranças

          Líderes têm um papel importantíssimo na jornada do intraempreendedor, por isso a liderança           tradicional e microgerenciadora deixa de fazer sentido aqui. 

          Liderar com agilidade significa atuar como catalisador e não como fiscalizador, removendo barreiras,           potencializando o melhor de cada pessoa e empoderando o time para viabilizar a execução.           Além disso, líderes que possuem o mindset ágil, não estão preocupados em ser donos da verdade,           mas sim, companheiros de descobertas. 

Como nós remodelamos o programa de intraempreendedorismo da Bild&Vitta?


O desafio

Quando o time da Bild&Vitta entrou em contato com a weme, o desafio era melhorar os resultados do programa de inovação já existente. 

Nosso ponto de partida: entender melhor os colaboradores da empresa. Afinal, o programa é feito para eles.

O time da weme, em conjunto com o time da Bild&Vitta começaram a entender o que era valor para os colaboradores da empresa por meio de entrevistas de empatia. Também analisaram o contexto da empresa e os gargalos existentes na edição anterior do programa.

Nós descobrimos que 

Tão importante quanto empreender dentro da organização, os colaboradores veem muito valor no aprendizado e troca de conhecimento que essa jornada proporciona.

Como resolvemos

Depois de sintetizar as informações e idear possíveis soluções, criamos o programa Inpulso, muito mais aderente à cultura da empresa. Além disso, criamos também a Academia do Empreendedor: um espaço para trocas onde os colaboradores podem se preparar tecnicamente e psicologicamente para se tornarem empreendedores.

Resultados

O programa Inpulso é referência dentro da empresa. O primeiro ciclo trouxe 79 inscritos e, após as fases de seleção, aceleração e tração, 4 novos negócios foram gerados dentro do programa, Hoje o programa é aberto para mais empresas. Você pode conferir aqui =)