"A inovação em produto sempre dependeu da inovação como cultura para nós", contou o Marcelo ao falar sobre a trajetória de inovação da 3m. Nesse papo leve, falamos sobre diversidade, desafios da ambidestria organizacional, e cultura. 


Muito da cultura de inovação da 3M é pautada na tecnologia, na ciência aplicada à vida, nos produtos. Todos nós temos visto uma movimentação da 3M não só na parte de hard science mas também em inovação em serviços, processos internos, aplicando métodos ágeis. Como tem sido esse aumento de espectro de inovação para a companhia?


A maioria das nossas inovações não acontecem com os produtos patenteados, acontecem nos 3 segredos industriais não-patenteados: processos de manufatura, logística, etc.

(...) O mundo avança muito rapidamente e nós precisamos inovar, por exemplo, e-commerce: estamos experimentando agora, metade da população brasileira está comprando agora. Como a 3M está trabalhando isso? Não somos a Amazon, mas como trabalhamos em parcerias? (...) Nós temos que ter inovação e isso não é sobre tecnologia, é sobre a forma como trabalhamos, a comunicação com nossos clientes está mudando muito. Como vamos falar com uma enfermeira que quer nossos produtos mas não podemos visitá-la num hospital?

É mais difícil pra nós que somos uma companhia baseada em inovação de tecnologias, produtos e agora em processos - finalmente em processos. Pra nós isso é um desafio para seguirmos firmes mantendo uma trajetória de inovação e desenhando nossos mapas futuros. 


Onde você acha que está o segredo ou ponto-chave para que a inovação atinja de forma transversal a organização?


Vamos nos perguntar e pensar como começou a 3M. Começou quase há 120 anos, mas não com um grupo de mentores e sim com um grupo de empreendedores. (...) Esses primeiros líderes que tivemos, começaram a modelar a cultura da 3M sempre com o empreendedorismo. Temos pilares essenciais na nossa companhia, a missão de que o cliente sempre está o meio. Somos uma organização que incentiva a liberdade para o empreendedorismo.

(...) Temos que ter empreendedores que trabalhem com uma cultura de inovação, abertura à comunicação e de compartilhamento. Esse é o segredo. 


Os desafios de inovar na indústria ainda existem, principalmente em um contexto de mundo que muda muito rápido. Quais os principais desafios de inovar na indústria no presente contexto?

Conheço o Brasil por muitos muitos anos e gosto muito do Brasil. Temos vários desafios: primeiro, a baixa conexão entre as indústrias para fazer parcerias com outras indústrias, universidades, parques tecnológicos. Temos muito pouco incentivos para fazer isso.

O segundo desafio é que o investimento em pesquisas e desenvolvimento em inovação é muito pequeno, muito fraco. Quando temos uma crise, é o primeiro investimento cortado. Aqui no Brasil e na Argentina também, não fazemos ideia do que acontece quando deixamos de investir nisso. Esses são os dois principais desafios. 


Outro ponto que sempre aparece nas conversas com nossos parceiros que também são grandes indústrias como a 3M é o equilíbrio entre a melhoria contínua e a inovação. Como você enxerga o equilíbrio entre esses dois pontos?


Muitas vezes nossas inovações são justamente para melhorar a excelência operacional. (...) Também olhamos para melhorias de manufatura, por exemplo. Sem inovação nós não poderíamos sobreviver com as nossas plantas. Isso é inovação. Além disso, nós gerenciamos constantemente nosso pipelive de inovação. Temos mais de 25 divisões e cada uma tem ao mesmo tempo mais de 40 produtos que estão sendo desenvolvidos. Para ter esses produtos nós temos muitas inovações que permitem a fabricação e distribuição. 

Eu, com 36 anos de 3M, posso dizer que se tem algum denominador em comum na 3m em qualquer área, é a colaboração. Se você tem um problema, você pode perguntar quem pode te ajudar. 


Quando falamos na cultura da 3M, algo que foi muito forte nos últimos anos e tem ganhado seu lugar no setor industrial é o aumento do olhar para a diversidade e inclusão. A diversidade está muito conectada à inovação, não é? Quero ouvir, na sua opinião, qual a importância delas andarem juntas. 


Nós sabemos que o mundo em que nós é diverso, muito diverso. Nossos clientes são diversos. Se nós falamos que o centro de nossa existência é ajudar aos nossos clientes, temos que pensar como nossos clientes. (...) Se nós não somos diversos como o mundo em que nós precisamos ajudar a entender, não vamos compreender. O mundo muda, mudou e mudará. Isso é fundamental para nós.

Nós temos sempre postura e posicionamentos quando vemos que o mundo vai para um lado que não inclui a diversidade. O mês de junho é o mês de orgulho, hoje na nossa fábrica temos a bandeira do brasil, da 3M e do orgulho. E ficamos muito orgulhosos disso porque temos uma comunidade diversa. 

Nós não somos perfeitos. Nos últimos 40 anos avançamos muito, mas não somos perfeitos. Continuamos avançando todos os anos, todos os meses, nos desafiamos em diversidade, gênero. Temos certeza de que para gerar ideias e soluções abrangentes temos que trabalhar de forma diversa. 


Se você pudesse compartilhar aprendizados e sugestões para outras indústrias que estão começando essa jornada de inovação, quais você compartilharia?


Primeiro eu falaria com os líderes, os dirigentes. (...) Vamos ter problemas, sempre. Mas se pra você a inovação é uma oportunidade número 1, você vai continuar investindo em inovação, trabalhar com pessoas que tenham potencial, desenvolver as pessoas, criar uma cultura onde errar seja bem-visto. Tem que colocar investimento em inovação como prioridade. É simples, mas difícil de executar. 



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