"Não existe inovação se você não tiver uma cultura aberta para receber informação" - citou Cristina ao contar sobre a sua trajetória profissional. Nessa conversa, ela compartilhou como foi o processo de transformação de uma empresa familiar, passando por processos de inovação, até o concebimento da Technopark. 


Nenhuma história de inovação é perfeita, né? Quando você pensa em toda a jornada e o quanto vocês se tornaram referência, qual o principal aprendizado e o principal desafios para inovar na indústria?

Eu acho que o principal aprendizado é que você está tentando o tempo inteiro inovar, mas inovar é bem vasto. Onde você vai inovar? A Essilor faz uma série de inovações em produtos. Mas aí você chega na sua trilha de inovação em gestão. Não adianta ter os melhores produtos mas ainda ficar gerindo de um jeito old. As pessoas que trabalham com a gente estão cada vez mais exigentes "me desafiem, o que vc tem pra mim?".

Fazer com que as pessoas se desafiem te leva para as ferramentas ágeis. (...) teve uma hora em que eu pensei: gente, vamos fazer mais? (...) e aí eu procurei vocês, queria muito trabalhar com ferramentas ágeis, pesquisei sobre OKRs. Ter feito o Hunger Games com vocês (uma maratona de aprendizagem da weme) fez uma diferença no meu time inacreditável.


O que você considera como um atributo-chave para liderança de uma indústria trazer sempre um novo olhar na gestão e na operação?

Um atributo chave é a cultura. Aprendi isso pela dor, a cultura faz uma diferença monstra numa empresa. Como eu faço uma cultura de aprendizado? Existe uma zona de conforto que é bem gostosinha de ficar mas ninguém cresce lá. Temos que dar uma chacoalhada e para isso a cultura da sua empresa precisa estar abraçando esse desafio como se fosse algo muito legal, como se estivesse experimentando a cultura de uma nova cidade mesmo. Outra coisa, você não consegue construir coisas diferentes se você não estiver centrado no cliente, isso é muito importante. Falamos muito de customer experience, mas e o employee experience? Será que as pessoas que trabalham comigo são felizes? Se não forem, nada disso que eu tô falando pra você adianta. 



Como conciliar a excelência operacional e ao mesmo tempo trazer o novo e olhar para novos horizontes?

Fazer esse balanço não é fácil. Quem paga seus sonhos é o caixa, não existe mais ninguém. Pra você fazer caixa, você precisa estar sempre melhorando, batendo meta, e explicar isso para as pessoas não é fácil. É importante deixar muito claro o "porque" para as pessoas e não só "o que". Qual é o sentido, a missão, a visão? Onde chegaremos se fizemos isso?

Uma coisa que tem me ajudado bastante é fazer meus funcionários se envolverem com a área de diversidade e social da empresa. Estamos numa comunidade que precisamos atender pessoas que não podem comprar um óculos e nós temos muito impacto nisso. A nossa missão não é só ganhar dinheiro, nós fazemos uma série de coisas ao mesmo tempo.. por isso é pesado. Você precisa fazer as coisas sem parar de ganhar dinheiro, porque se não eu não tenho funcionários, não posso investir se não tiver caixa.

Trazer as pessoas para esse cerne no motivo pelo qual existimos é o que as fazem ficam. Acho que o balanço é isso: entender que o jogo é duro e escolher as melhores batalhas para ganharmos juntos. 


Quais as sugestões você daria para outros líderes e colaboradores que trabalham na indústria e estão começando a olhar para inovação?

Olhando minha história de vida, eu diria pra sempre tentar maneiras diferentes de alcançar objetivos. As vezes é custoso, a gente erra mas a coisa mais legal é não desistir. Eu aprendi na weme uma coisa: erra, mas conserta rápido. Se você não tentar, não vai errar.. mas será que você vai crescer e impactar o que queria? Qual o tipo de empresa você quer: uma empresa quadradinha ou quer mais? O empreendedor sempre quer mais, quer mudar o mundo. Dá pra fazer as coisas diferentes podendo errar e consertar rápido, sem desistir. 



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