A Starrett é uma multinacional americana com mais de 140 anos de história. Uma indústria bastante tradicional, "arroz e feijão" - como cita o Christian. Para ele, o grande desafio é trazer a cultura e o espírito de inovação à empresas que não nasceram nesse contexto VUCA em que vivemos hoje.

Confirma nossa entrevista:

Na sua visão, onde estão as principais barreiras para trazer a inovação na indústria?

O primeiro ponto é esse: inovação, na maioria das empresas tradicionais, está relacionada a novos produtos. Esse foi o primeiro grandíssimo desafio. (...) Nós estávamos numa situação bastante confortável, numa empresa histórica de sucesso e eu estava assumindo a presidência da empresa com uma série de mudanças. Tudo que a gente fazia, em todas as áreas da empresa, era feito da mesma forma há 20 anos. (...) então nós queríamos mudar o mindset das pessoas, nosso desafio era fazer com as pessoas não pensassem que inovação era só para produtos e serviços. (...) Eu queria que fizéssemos diferente, que as pessoas olhassem a inovação em tudo que a gente faz e vamos ver se temos formas melhores de fazer, mais baratas e eficientes. Vamos focar o nosso tempo para fazer coisas que adicionam valor. 


Como a Starrett vem equilibrando a integração entre a melhoria contínua e a inovação?

Isso também é um grande desafio. A gente tem que ficar com um olho do peixe e o outro no gato, não podemos deixar o dia a dia, os KPIs, objetivos de faturamento de lado. Mas ao mesmo tempo, também temos que ter um espaço pra pensar além disso. Tem coisas de melhoria contínua que são melhorias incrementais e eu vejo que inovação é uma melhoria exponencial. A melhoria contínua é super importante, inclusive temos um programa robusto dentro da Starrett que reforça isso e daí vem muita coisa de segurança do trabalho, melhorias para o ambiente de trabalho, etc. Esse é um dos grandes desafios das empresas tradicionais: como eu consigo olhar para h1, h2 e h3 e destinar um pouco do tempo para pensar como será daqui há 5 anos por exemplo. 


Como você enxerga a inovação frente às novas tecnologias digitais que estão surgindo?

A gente vinha num algoritmo, pequenos passos e aos pouquinhos, mas aí veio o que veio e batemos numa parede de concreto, então precisamos acelerar. Coisas como o home office, pra nós tudo isso era muito distante. Não era coisa de Itu (sede da Starrett), sabe? Mas virou coisa de Itu. Teve que ser muito rápido, exponencial a mudança. Por exemplo, sem equipe de vendas, como manteríamos esse pessoal motivado? A gente se preocupou muito com isso. Programas de saúde mental, física. E aí a weme foi fundamental para nós porque como eu disse, estávamos fazendo alguns movimentos pré-Covid e de repente tivemos que aprender tudo muito rápido. Usamos vocês pra nos ajudar a acelerar esse processos.

Eu acho que as empresas têm que ter os C-levels entendendo que a inovação é importante, top down. Se a liderança acha que isso é nice to have, isso é péssimo para a organização toda.

Outra coisa, se você conseguir pegar uma equipe que vai destinar algumas horas da semana pensando no h3 ou no h2, isso já é um passo muito grande. Mas se isso não vier top down e as pessoas acharem que isso é florear, aí a coisa não vai. Muito importante que, independente do tamanho das organizações, destinem x% de horas e budget para pensar nisso.

Nessa jornada toda, qual foi seu grande aprendizado? E qual conselho você daria para indústrias que estão começando nessa jornada?

Se você é a Starrett ou a padaria da esquina, todos tem que pensar em inovar. Olha o que está acontecendo hoje.. quantos padeiros pensaram em fechar as portas e mandar todo mundo embora e outros estão no ifood bombando? O que nós estamos passando com o covid-19 trouxe para àqueles que achavam que isso era meio floreado, histórinha ou nice to have, a percepção do quão crucial é a inovação daqui pra frente. Independente do tamanho da empresa, a inovação tem que fazer parte da estratégia de qualquer negócio. 


Assista na íntegra a entrevista:

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