Fernanda Futada

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Como fortalecemos o employee experience e a cultura no trabalho remoto

A manutenção da cultura no ambiente remoto, atrelada à melhoria do employee experience, em um momento de disputa por talentos, é um dos principais desafios a se enfrentar, agora e no futuro.

Recentemente, para produzir o weme insights (um report muito completo sobre o futuro das organizações), entrevistamos mais de 25 líderes de grandes empresas. 


Em muitos momentos, por conta de todas as mudanças no formato de trabalho impostas pela COVID-19, foi mencionado que o modelo digital prejudicava a cultura da companhia:


"No ambiente remoto, somos como qualquer outra empresa, não temos o diferencial da cultura que tínhamos no presencial."
“O trabalho remoto atrapalha o engajamento e mata a cultura da empresa."
“ A gente perde a parte da cultura e da inovação que antes surgiam durante o cafezinho."


Você acabou de ler algumas das preocupações que ouvimos. E aí, esse também é um desafio que você enfrenta no seu time e na sua empresa? Será mesmo que o virtual (ou o trabalho remoto) mata a cultura?


Como a weme manteve a cultura viva no ambiente remoto


Refletindo sobre esta questão, me lembrei do meu processo de onboarding, na weme. 


Eu fui contratada durante a pandemia e a empresa já operava no modelo remote first (ou seja, ainda tinha um escritório físico, mas já rodava 100% no digital). 


Todo o processo de contratação aconteceu virtualmente, nunca fui ao escritório físico e só descobri que a head de marketing não era baixinha quando nos encontramos para um café - o restante do time, só conheço pela webcam. 


Apesar dessa distância física, todos os touchs que tive com o RH, com as lideranças e os colegas de trabalho foram me dando pistas de como seria meu dia a dia e como é trabalhar neste lugar. 


Digo “dando pistas”, porque houve um cuidado especial para manter a naturalidade da minha experiência de integração. Mesmo nos ambientes físicos, você não conhece as pessoas e a cultura de uma única vez. É um processo de descoberta. 


Por isso, é uma ilusão achar que, no virtual, isso deva acontecer de forma diferente - e aqui está uma pista para investir no employee experience e manter a cultura viva: dê oportunidades para que ela (a cultura) se manifeste, mas não apresse o passo.


Como fazer isso? Separei quatro evidências da minha experiência na weme e que podem te inspirar a encontrar caminhos dentro do seu contexto:

1. Uma jornada de onboarding apresenta a cultura aplicada no dia a dia

Esta imagem é a materialização da minha jornada de onboarding, que recebi logo no primeiro dia de trabalho. 

Nela, encontrei informações importantes como quem seria minha madrinha de integração, qual é o papel do meu cargo na empresa (o tal do CHA), os logins de acesso às contas, informações sobre a weme, sobre meus colegas, links importantes e dicas para começar com o pé direito. 

Uma curiosidade: essa imagem de fundo da jornada não foi escolhida por acaso. Na reunião em que recebi a notícia de que eu entraria, de fato, para o time da weme, eles repararam que eu tinha essa mesma imagem (que é um meme rs) no fundo da chamada de vídeo.

O mesmo aconteceu com o plano de fundo do notebook que recebi. Descobriram que Rei Leão é um dos meus filmes favoritos e, quando liguei o computador pela primeira vez, tive a surpresa de ter uma ferramenta de trabalho pensada para mim. 


A cultura e o employee experience também também estão nos detalhes. 


Na jornada, eu já tinha missões mapeadas para meus próximos três meses. Tarefas que eu deveria cumprir para aprender mais sobre o business, as pessoas e a cultura.

Na jornada, estavam mapeadas também as previsões de entrega para cada item - assim como o peso que cada aprendizado teria na minha rotina de trabalho e também nesse processo de ambientação. 

Do ponto de vista de uma colaboradora recém-chegada, isso foi valioso! Porque, imagine a cena: segunda-feira, meu primeiro dia de trabalho. Eu liguei meu computador, na minha casa, e pensei “e agora”? Eu tinha uma reunião de boas-vindas agendada para às 10h, mas até lá, o que eu faria? Ao checar meu e-mail, encontrei essa jornada.


Todas as orientações e o carinho no preparo do kanban de onboarding me deram a segurança de que minha chegada foi aguardada e planejada, que eu não estava sozinha, e que eu poderia me deixar guiar por esses passos. Viu só? De novo, o employee experience!


2. Toda oportunidade é útil para comunicar a cultura


Começar a trabalhar em um lugar diferente significa que você terá que aprender muitas coisas - inclusive, reaprender aquilo que você achava que já sabia.


Por exemplo: onde encontrar as informações de que precisa? Quem faz o quê dentro da empresa? Qual o nome das áreas? Quem são as pessoas com quem você trabalha? Já existem metas desenhadas? Muitas são as perguntas. 


Pensando nisso, concentrar as informações importantes num só lugar ajuda a guiar os novos colaboradores e também é uma oportunidade de construir e apresentar um storytelling da sua cultura.

 

Nessa imagem acima, está o wOS (weme Operating System, o sistema operacional da weme)

Repare no menu lateral. A primeira informação é sobre o modelo de trabalho remoto (ou seja, como você vai trabalhar), depois vem a estratégia (por que trabalhar, ou pelo quê), na sequência, está a estrutura organizacional e a descrição de cada time (com quem). Percebeu? Storytelling

Além disso, quero destacar duas seções especiais do wOS:

A primeira é sobre pessoas. Sabe aquela esbarrada no cafezinho ou durante o horário de almoço, em que você acaba descobrindo de quais séries a pessoa gosta, o que ela faz no tempo livre, qual a cor preferida dela? 

Pois bem, uma forma de trazer essa experiência para o modelo digital, foi criar um espaço onde as pessoas poderiam escrever mais sobre elas. 

Isso conecta as pessoas e ainda diz muito sobre a cultura do lugar: quem eu sou, dentro e fora daqui, importa.

O segundo destaque vai para a seção de glossário. 

Chegar num lugar novo inclui também conhecer um dialeto novo, porque as pessoas já têm uma maneira de se comunicar.

Não entender o que um ou outro termo significa pode tornar tudo mais difícil para quem acabou de chegar. Por isso, a weme incluiu, no wOS, um glossário. Foi aí que eu aprendi que eu era uma “newmer” e que a festa da firma se chama “redenarok”.

3. As interações virtuais podem (e devem) ser mais humanas


Fazer muitas ligações online cansa. Parece que até aquele encontro para dar um “bom dia” vira uma reunião, um compromisso que você precisa por na agenda da pessoa e enviar um link de uma sala. 


Além disso, somos muito visuais, sempre buscamos referências para nos conectar com pessoas e com lugares. Por exemplo, quando você vai a uma loja, logo ao entrar, seu olho já busca por informações: como os produtos estão dispostos? Como as pessoas estão vestidas? Qual música está tocando? Como é a decoração? - tudo isso faz nosso cérebro entender se estamos num lugar chique, simples, convidativo, aconchegante…


Combinando essas percepções, pode parecer mesmo muito difícil manter viva a cultura e apostar no employee experience quando não temos mais os recursos palpáveis da presença. 


Hoje, existem ferramentas para nos ajudar com isso!


Apesar de achar que jogos, tipo o The Sims, podem ter sido um spoiler disso, uma coisa é certa: nunca poderíamos imaginar que, um dia, seria possível criar um ambiente virtual que nos fizesse sentir, de fato, ao lado das pessoas. 


Aqui na weme, usamos o Gather, uma plataforma online que permite criar espaços totalmente customizáveis e colaborativos, que criam uma nova experiência para as comunidades virtuais. 


Veja um pouco de tudo que fazemos por aqui:

As novas possibilidades são muitas, não é mesmo? 😀

Nesta imagem ao lado, você vê o café da Thu que, além de trabalhar na weme, é barista. Ela criou este espaço e decorou com itens que revelam a sua identidade e a do time (veja nossos pets, no cantinho superior direito). 


Tudo isso foi criado sem burocracia, ela não precisou pedir permissão para customizar o ambiente onde nossas reuniões acontecem.

Isso porque autonomia também faz parte de quem  a weme é - você se lembra daquilo que falei sobre a cultura estar nos detalhes?


Para conversar com alguém, é só esbarrar com essa pessoa pela weme virtual.

Repare nos bonequinhos, perto das mesas. Para conversar com a Carol, eu parei ao lado dela e as nossas câmeras se abriram!

Dá até para criar salas de reuniões personalizadas com elementos que tornam as reuniões muito mais especiais, expandindo a cultura para além das paredes (virtuais) da empresa - employee experience que também vira customer experience!

4. Promova momentos para praticar a cultura


Aqui na weme, aprender rápido é um valor muito importante e isso faz parte do nosso dia a dia, da nossa cultura. Sendo assim, não nos faltam oportunidades para colocar isso em prática.


No Discord, temos um canal destinado ao compartilhamento de aprendizados. Vale de tudo, podcasts, prints, séries, cursos, textos, talks, livros, eventos…

Além disso, a cada semana nas reuniões gerais, uma pessoa traz um assunto para ensinar aos colegas:

No meio disso tudo, a empatia


Ter a oportunidade de viver a cultura de uma empresa, de onde quer que você esteja, pensando na tendência do anywhere office e no employee experience, é riquíssimo! Ainda mais em tempos em que a competição por mão de obra anda tão acirrada.


Mas, muito além disso, repensar as experiências com essa lente é um baita exercício de empatia - e aqui, cabe um parênteses para uma reflexão.


Meu primeiro contato com a palavra “empatia” aconteceu quando eu ainda era criança. 

Eu adorava comer só o recheio da bolacha, deixando as partes mais sem graça para trás.


Um dia, minha mãe me disse que eu precisava ser mais empática, porque ninguém gostava de abrir o pote e só encontrar restos. Eu tinha 7 anos e confesso que aquilo ficou na minha cabeça. Eu lembro de pensar que empatia deveria ser algo bem difícil de aprender, tão difícil quanto comer as partes sem recheio de bolacha. 


Os anos se passaram e entendi que, realmente, empatia é um músculo que deve ser constantemente exercitado. Não me entenda mal. Eu não disse que não nascemos empáticos, pelo contrário! 


Uma das mais importantes descobertas da neurociência constata que nós, seres humanos, temos algo que podemos chamar de “neurônio espelho”. Sabe quando você vê alguém bater o dedinho do pé e parece que sente a dor junto com a pessoa? Esse é o neurônio espelho em ação. Ele está ligado à observação e imitação de expressões e/ou movimentos.

“Nós compreendemos o outro, porque temos dentro de nós a mesma experiência” (Merleau Ponty - filósofo)

Se a gente tiver isso sempre em mente, aumentam as chances de mantermos o foco nas pessoas e a cultura viva, independentemente do ambiente (físico ou virtual). 


Isso porque, no fundo, a cultura de um lugar é formada pelas pessoas e como elas impactam e se conectam com a vida umas das outras. Ou seja, de modo bem simples: a empatia atuando forte no employee experience.


O desafio de se fortalecer a cultura do ambiente remoto é apenas um dos insights que tivemos e detalhamos ao longo do estudo weme insights: um olhar sobre o futuro das organizações.






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