Carolina Nucci

Compartilhar no

Categoria:

Gestão

Consultoria de Inovação: como escolher a melhor para sua empresa

Para escolher a melhor consultoria de inovação, é preciso entender, entre os caminhos possíveis, quais têm mais potencial de gerar valor para sua empresa.

Em um contexto que muda a toda hora e cada vez mais rápido, aumenta a pressão pela inovação em cima das organizações que querem ser (ou continuar sendo) relevantes no futuro.

Novas capacidades e competências são exigidas e não necessariamente aquilo que trouxe muitas empresas até aqui será o que as continuará levando para o futuro.

Junto com essa pressão vem também a aceleração da busca por caminhos tangíveis para viabilizar a inovação - que podem ser internos e externos. Ambos os caminhos não são excludentes, muito pelo contrário: a busca por parceiros externos com competências e experiências complementares às da sua empresa é uma das melhores formas de somar e acelerar a inovação.

Contudo, entre as muitas opções de consultorias de inovação, nem sempre é óbvio ou fácil escolher o match perfeito para os seus desafios e o seu momento. Para escolher a melhor consultoria de inovação é preciso entender, entre os tipos existentes, quais têm mais potencial de gerar valor para sua empresa - e esse artigo tem o objetivo de te munir com as melhores ferramentas para tomar a melhor decisão.

O que é inovação? Vamos começar pelo começo!

Inovação é quase uma palavra coringa no jargão corporativo. Ela está presente nos valores, nas diretrizes estratégicas, nas conversas sobre cultura, no medo de ficar para trás em relação aos concorrentes e sempre que há algum problema com caminhos aparentemente esgotados de solução.

No entanto, a inovação é também um tema difícil de definir e mais ainda de colocar em prática. Há mais definições, teorias, tipos e métodos do que exemplos práticos de sucesso.

Entre as muitas definições existentes, há um denominador comum: a inovação é sempre sobre algo novo e algo útil. Na weme, gostamos de simplificar explicando a inovação como toda mudança que gera valor. E quem faz essa mudança são pessoas, para pessoas. Assim como diz o Maurício Bueno, um dos fundadores da weme: "pessoas, não negócios, são a unidade básica da inovação".

Como trazer a inovação para a prática?

Se inovar é preciso, trabalhar pra inovar também é preciso

Por mais que não gostemos de admitir, a jornada de inovação começa difícil por dois motivos: os gatilhos para inovar e a tentação da solução fácil.

Em relação ao primeiro ponto, muitas vezes o gatilho que faz a empresa buscar pela inovação tem menos a ver com os problemas e mais com as soluções - e é mais reativo do que proativo. Nada como a fala sobre uma nova tecnologia ou uma nova buzzword em um evento ou a notícia sobre um novo tom de verde na grama de um concorrente para acelerar a pressão pela inovação.

O problema desses gatilhos é que nem sempre a solução externa copiada e colada é o caminho para um problema interno - nesse caso, só teríamos algo novo, mas não necessariamente algo útil.

Quando isso acontece, a solução sem a clareza de um problema pode gerar o efeito contrário. Muitos projetos, programas de ideias ou de intraempreendedorismo, hackatons e conexões com startups, por exemplo, geram frustração quando não há objetivos e estratégias claras. A frustração, por sua vez, faz com que a inovação caia em descrédito - quando, na verdade, o problema está nos motivos e na forma como foi iniciada.

Já o segundo modo de falha diz respeito ao nosso desejo involuntário favorecer sempre a solução mais fácil e rápida, ainda que todos saibamos que, se fosse fácil, todo mundo estaria fazendo. Nesse sentido, sempre que esperamos por soluções miraculosas com pouco tempo e esforço, a inovação também tende a falhar.

Além do desalinhamento de expectativas, isso acontece porque não adianta inovar só na ideia e continuar tradicional na execução. A inovação envolve, acima de tudo, uma mudança na direção de um modelo mental voltado para a aprendizagem, abertura e experimentação rápida.

Dessa forma, a inovação que começa pela buzzword do momento ou que espera a solução fácil vira "voo de galinha". Assim como trabalhar dá trabalho, inovar também dá: exige tempo, investimento, prioridade estratégica, profissionais experientes e o mais importante: vontade de mudar de verdade. Sem isso, torna-se uma questão de sorte ser criativo, inovador e competente o suficiente para competir no atual contexto digital.

Os tipos de inovação

Segundo Larry Keeley em seu livro "dez tipos de inovação", podemos pensar em 10 possibilidades de inovação como ponto de partida.

Essas 10 possibilidades estão divididas em 3 blocos: o de configuração, o de oferta e o de experiência.

Configuração

No bloco de configuração, estão todas as possibilidades de inovação referentes ao ambiente interno da empresa. São elas:

  • Modelo de lucratividade: como seu negócio transforma oferta em lucro;
  • Rede: como seu negócio se conecta com outras empresas e pessoas;
  • Estrutura: como seu negócio alinha talentos e recursos;
  • Processos: como seu negócio desenha os processos internos para entregar suas ofertas.

Oferta

Esse segundo bloco é focado na sua oferta, nos seus produtos e nos seus serviços.

  • Desempenho do produto/serviço: melhorias incrementais na sua oferta;
  • Sistema de produto/serviço: busca ofertas complementares ao seu core business, foca no portfólio de ofertas.

Experiência

O bloco da experiência é voltado para o usuário e a percepção dele sobre o que você entrega.

  • Serviço: todo o relacionamento da sua empresa com o cliente;
  • Canal: todos os pontos de contato da sua empresa com o cliente;
  • Marca: como a marca é percebida;
  • Envolvimento do cliente: satisfação e interações com o cliente.

Ambidestria Organizacional

Além dos tipos de inovação, entendemos que ela pode acontecer em diferentes níveis.

O primeiro, quando buscamos melhorias em produtos e serviços que já temos (sustentação) e a outro, buscamos atender às necessidades futuras dos clientes (disrupção).

A sustentação é sobre o que a empresa tem agora e tem algumas características:

  • Baixo nível de incerteza e altas taxas de sucesso;
  • Foco no ganho a curto prazo;
  • Aumento de confiabilidade, eficiência e controle.

A disrupção é sobre o que ainda não se sabe:

  • Investiga novos negócios ou novas formas de fazer negócios;
  • Consome recursos em curto prazo e o retorno é incerto, distante e atrasado;
  • Alto nível de incerteza e baixas taxas de sucesso.

A capacidade da organização de trabalhar a sustentação e disrupção ao mesmo tempo é chamada de ambidestria organizacional.

Quando contratar uma consultoria de inovação?

Assim como falei no início do texto, os caminhos para acelerar e viabilizar a inovação em uma empresa podem ser internos e externos. Muitas vezes por uma limitação de recursos e budget, os primeiros passos podem ser dados internamente. Da mesma forma, uma empresa pode começar com parceiros externos para desenvolver seu time e, com isso, investir na internalização dessas competências.

E por fim, mesmo empresas que possuem uma cultura de inovação forte e consolidada muitas vezes recorrem a consultorias externas para acelerar esforços atuais ou continuar desenvolvendo novas frentes e competências.

Qualquer que seja o momento ou maturidade em inovação de uma empresa, ela sempre ganhará mais força por meio da conexão com parceiros externos. A inovação se alimenta da troca de experiências, da conexão entre perspectivas e competências complementares e da abertura à experimentação de iniciativas diferentes das quais a empresa está acostumada internamente.

Mas quando essa ajuda é mais bem-vinda? Deixo alguns cenários em que consultorias de inovação podem mudar o jogo nessa jornada:

  • Quando a cultura da empresa ainda é engessada e pouco favorável à inovação: por mais que haja um desejo da alta liderança para inovar, nada evolui se os colaboradores não têm abertura e vontade de propor ideias diferentes do padrão ou espaço para experimentar e investir nelas. Nesse caso, uma consultoria de inovação pode ajudar a projetar e executar um plano de desenvolvimento da cultura de inovação na empresa.
  • Quando a estratégia de inovação é inexistente ou não está clara e alinhada entre os envolvidos: Sem uma boa estratégia por trás, qualquer projeto de inovação perde a força antes mesmo de começar. Para a inovação ganhar a atenção que merece, é preciso que ela esteja conectada à estratégia da empresa. Para isso, uma consultoria de inovação pode atuar não só no desenho dessa estratégia, mas também no alinhamento entre os principais stakeholders para que ela tenha o envolvimento e prioridade necessários para avançar e no desdobramento das iniciativas que foram priorizadas.
  • Quando a empresa não possui colaboradores com competências ligadas à inovação: Quaisquer que sejam os desafios e caminhos priorizados para inovar, novas competências serão necessárias para viabilizar as mudanças almejadas. Nesse sentido, trazer consultorias externas com essas competências não só complementa o time como também acelera o seu desenvolvimento interno nas mesmas para o médio e longo prazos.
  • Quando as iniciativas internas de inovação ainda são muito incrementais ou quando o viés interno é barreira para inovar: Lembra da ambidestria ali em cima? É muito comum as empresas focarem nas estratégias de sustentação e deixarem a disrupção para depois. Soma-se a isso o viés comumente presente em times internos e que acaba atuando como resistência a mudanças ao invés de apostar na experimentação.
  • Quando a empresa deseja acelerar projetos mais disruptivos e fora do core business: ainda sobre ambidestria, essa falta de atenção em projetos disruptivos pode ser pelo fato de não ter recurso para olhar para isso com a atenção necessária. Nessa hora, a consultoria também é bem-vinda para organizar os recursos e contribuir com mais cabeças pensantes.
  • Quando a inovação é restrita a um time e precisa ganhar escala em outras áreas da empresa: O comprometimento com a geração de valor não deve ser exclusivo de um time. Todas as áreas precisam se enxergar nessa jornada de entrega de valor. Nesse caso, a consultoria de inovação consegue articular melhor as pessoas de diferentes áreas envolvidas dentro dos projetos.
  • Quando os recursos internos da empresa ligados à inovação não são suficientes para dar vazão à demanda crescente de projetos: Mesmo empresas com alta maturidade em inovação muitas vezes não dão conta de todos os projetos e iniciativas de dentro da empresa, sejam elas mais incrementais ou mais disruptivas. Nesses casos, consultorias de inovação ajudam a dar vazão e escala à demanda reprimida.

O que pode variar em uma consultoria de inovação?

Ao buscar uma consultoria, há diferentes modelos e especialidades.

  • tipos de profissionais
  • modelos de trabalho
  • a experiência em segmentos específicos
  • a experiência com desafios específicos.

Os benefícios de uma consultoria de inovação:

  • Conectar diferentes perspectivas e vivências ao seu desafio
  • Explorar os problemas antes de sair em busca de uma solução
  • Trazer uma competência ou expertise que hoje sua empresa não domina
  • Encontrar novas soluções para problemas dos clientes e usuários, dos colaboradores e do negócio como um todo.
  • A troca de experiência gera impacto positivo na cultura da empresa.
  • Quebra de padrões em processos e práticas corporativas
  • Sensibilizar e desenvolver colaboradores sobre temas relacionados à inovação.

Como escolher a melhor consultoria para a minha empresa?

  • Analise a experiência da empresa (segmentos, cases e depoimentos): para o ramo de inovação, um ponto interessante de analisar é a experiência com diferentes tipos de desafios e segmentos, pois pode mostrar a adaptabilidade do método a diferentes contextos e a extensão do repertório. Ao mesmo tempo, depoimentos e cases de sucesso reforçam a autoridade dentro de uma especialidade.
  • Busque recomendações de pares e pessoas em que confia: Certamente pessoas dentro da sua rede de relacionamentos conhecem boas recomendações de consultorias e podem fazer uma indicação mais assertiva para o seu contexto. Um pedido como esse pode ser tanto direto, como também em uma rede profissional, como o Linkedin.
  • Estude os conteúdos produzidos pela empresa: Consultorias de inovação bem atualizadas costumam reforçar sua autoridade publicando conteúdos relevantes em diversos formatos (blog, eventos, redes sociais, estudos, etc). Consumir alguns desses conteúdos pode te ajudar a entender um pouco sobre o trabalho da empresa, assim como aprender mais sobre inovação sob uma perspectiva externa.
  • Conheça os serviços com base nos problemas que você deseja resolver (e não com base na hype da solução): Ao entender qual formato de consultoria faz mais sentido para você, busque aquela que fale do seu serviço a partir do problema que ele resolve. É muito mais fácil escolher um serviço dessa forma.
  • Explore as abordagens, os métodos e as ferramentas: Conhecer um pouco mais sobre como cada consultoria entrega seu serviço é importante para analisar a consistência do seu trabalho. Mesmo que você não entende em detalhes sobre a parte técnica, a habilidade de explicação de um consultor também dia muito sobre o seu trabalho.
  • Examine as pessoas que fazem parte da empresa: O principal ativo de uma consultoria são suas pessoas. Por isso, faz sentido conhecer um pouco mais sobre seus sócios e seus colaboradores. Pesquise um pouco sobre perfil, conteúdos produzidos e experiência prática.
  • Pesquise sobre os valores e princípios da empresa: O trabalho de consultoria de inovação é, acima de tudo, uma relação de parceria. O fit cultural e de valores podem mudar o jogo no engajamento e na entrega do resultado e, por esse motivo, vale a pena avaliar esse match antes de escolher a consultoria que será sua parceira ideal na inovação.

Uma consultoria de inovação não necessariamente exclui a outra.

Diante de tantas variáveis, há muito espaço e diversos caminhos para consultorias contribuírem com a jornada de inovação em grandes empresas. A mistura de diferentes repertórios, métodos e experiências deixa o ambiente mais fértil e só tem a agregar para o processo de inovação.

Por esse motivo, há espaço para diferentes tipos de consultorias trabalharem e coexistirem dentro de uma mesma empresa. O mais importante, nesse processo de escolha, é analisar as variáveis para conectar, dentre as opções de parceria possíveis, a melhor opção tendo como norte o problema que você quer resolver.

👀  O que ler depois

Marketing Insights: como convertemos pesquisas em melhores tomadas de decisões? (+ kit de ferramentas para auxiliar nisso)

Marketing Insights: como convertemos pesquisas em melhores tomadas de decisões? (+ kit de ferramentas para auxiliar nisso)

Marisa Oliveira

Saber mais
Consultoria de Inovação: como escolher a melhor para sua empresa

Consultoria de Inovação: como escolher a melhor para sua empresa

Carolina Nucci

Saber mais
Venture design: o papel do design na jornada de venture building

Venture design: o papel do design na jornada de venture building

Marisa Oliveira

Saber mais

Que tal assinar nossa newsletter?

Nossos conteúdos são feitos pra quem não quer deixar de aprender mesmo na correria do dia a dia:

• Formatos curtinhos
• Curadoria de ótimas fontes
• Divulgação de eventos e conteúdos sobre inovação e design
• Quinzenalmente por semana pra não lotar sua caixa de entrada
• Feitos com muito amor 💜