Mauricio Bueno

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Design

Como o Design pode resolver problemas complexos da sua empresa?

Ao contrário do que o já é bastante conhecido, o design não se limita a criar objetos elegantes ou embelezar as coisas. O design é uma disciplina poderosa capaz de transformar produtos, serviços, experiências, processos e pessoas.

Para começar a falar sobre isso, quero contar sobre a Christiane Verne. Diretora da área de autopeças da Bosch. Ela tinha um desafio: incluir definitivamente a Bosch no ambiente digital de oficinas mecânicas, varejistas e distribuidoras.

 

A resolução mais comum e esperada para esse desafio seria: ok, vamos construir um marketplace. Mas a Christiane sabia que não seria um projeto para construir mais uma plataforma de venda de peças. Ela sentia que era necessário criar algum valor diferente para entrar nesse jogo. Então escolheu a abordagem do design thinking para entender como poderiam ser relevantes para toda a cadeia no ambiente digital.

 

A Chris montou um time dedicado para trabalhar nesse projeto e, depois de dezenas de entrevistas com diferentes atores da cadeia, a equipe compreendeu que a pessoa mecânica de automóveis, elo fundamental, tinha dois grandes desafios:

 

1. Com pouco espaço em suas oficinas, a demora na chegada das peças atrapalhava seu fluxo de clientes. 

 

2. Essa pessoa gastava muito tempo no whatsapp e skype tentando encontrar a peça que precisava com distribuidoras, varejistas e até com outras oficinas.

 

A partir dessa descoberta, a equipe projetou um chatbot (um marketplace sem interface) a partir do uso das ferramentas de comunicação que essa pessoa já estava acostumada. A ferramenta proporcionava a busca de qualquer peça (de várias marcas) nas oficinas, distribuidoras e varejistas mais próximos, diminuindo o tempo de recebimento da peça.

 

Em menos de 2 meses os primeiros testes da solução foram conduzidos. O que era um time de projeto, hoje tornou-se um novo negócio para a companhia. 

Esse é apenas um dos casos da nossa história fazendo consultoria de design e inovação, na qual assistimos diariamente a equipes que não são formadas por designers experientes tendo resultados incríveis, mesmo nas primeiras experiências com o design. 

 

Na weme nós já praticamos o design há algum tempo, mas a partir de 2016, ao trazer a simplicidade do design thinking como abordagem nos projetos, aproximamos designers da casa aos times de diversas empresas, gerando muito mais engajamento das pessoas e aumentando incrivelmente não apenas a aceitação, como também a eficácia dos projetos.

 

O Design e a vida humana.

Nenhuma definição única do design, ou uma série de práticas profissionais como design industrial ou design gráfico, cobre adequadamente a diversidade de ideias e métodos que estão reunidos com o mesmo rótulo.

 

Em 1992, o designer e pesquisador Richard Buchanan apresentou algo interessante: com o tempo, o pensamento mecanicista e burocrático fragmentou o conhecimento até o ponto de chegar em uma grande colcha de retalhos de especializações. Embora essas divisões e subdivisões tenham contribuído para o avanço do conhecimento, as disciplinas se tornaram estreitas, mais numerosas e acabaram perdendo a conexão entre elas e com os problemas e assuntos da vida cotidiana.

 

Sem disciplinas integradoras de compreensão, comunicação e ação, há pouca esperança de ampliar o conhecimento além da biblioteca ou do laboratório, a fim de servir ao propósito de enriquecer a vida humana. É nesse cenário, com o papel de integrar disciplinas e direcionar os saberes para tratar de desafios reais da humanidade, que emerge o papel do design. 

 

Designers exploram integrações concretas de conhecimentos diversos combinando a teoria com a prática para fins produtivos. Ao observar o mundo e as pessoas, tornam exigências compatíveis com utilidade, restrições com possibilidade, e necessidades com demanda.

 

Em 1988, o economista Herbert Simon definiu o design como a concepção e o plano do artificial. Para ele, toda pessoa que pretende mudar ou ajustar o curso de uma situação atual é designer. E Buchanan completa:

“O design é o plano, projeto ou hipótese de trabalho que constitui a “intenção” em operações intencionais.”

O assunto do design é potencialmente universal em seu escopo porque pode ser aplicado em qualquer área da experiência humana — símbolos, sinais, produtos, serviços, experiências, interações, negócios, organizações, governo ou sistemas educacionais. Mas em seu processo de aplicação, designers devem necessariamente descobrir ou projetar algo específico para problemas e desafios de uma circunstância em particular

.

Embora observe-se algumas etapas fundamentais no processo de design - compreensão do problema, geração de ideias, construção de protótipos e teste e avaliação - em função da amplitude constitutiva do tema, os processos e ferramentas de design são muito amplos e complexos, e na literatura sobre o tema podemos encontrar diversas abordagens sobre isso.

Mas e o Design Thinking?

 

Com o objetivo de ampliar a aplicação do design, dando confiança para não designers, e assim potencializando a entrega de valor das experiências humanas, o instituto de design de Stanford, a d.school (principalmente através da figura de David Kelley - eu tive o prazer de ser seu aluno em uma aula na escola de negócios de Stanford), disseminou o chamado Design Thinking.

 

Ao simplificar o processo e o pensamento complexo do design, o Design Thinking deu acesso para que, mesmo um time inexperiente, pudesse aprender, evoluir e projetar produtos, negócios, experiências ou processos muito mais relevantes para pessoas clientes e usuárias.

 

Aula de David Kelley, na d.school da Stanford.

5 etapas do design thinking

 

1 - Empatia

Compreender a pessoa usuária, suas necessidades e dores através de entrevistas de empatia, observação e sensemaking;

 

2 - Definição

Escolher qual desafio da pessoa você vai trabalhar para resolver ou minimizar;

 

3 - Ideação

Gerar ideias apoiando-se na colaboração e no pensamento visual;

 

4 -Prototipagem

Construir de maneira simples e rápida versões da sua solução e aprender com ela;

 

5 - Teste

Colocar suas ideias à prova, coletar feedbacks, continuar aprendendo sobre a pessoa usuária e iterar a sua solução.

 

5 etapas do design thinking - d.school

O processo e o exercício dessas 5 etapas cumprem a essência principal do design thinking: estimular e suportar a adoção de um jeito contemporâneo de pensar e agir. Nas palavras de Kelley:

 

“Criatividade e a habilidade em inovar são como músculos — quanto mais usamos, mais forte elas se tornam.”

8 habilidades para o designer

 

1. Navegar na ambiguidade

 A ambiguidade surge quando um problema não está bem definido. A capacidade de se sentir à vontade diante disso não é fácil, mas é extremamente necessário.

 

2. Aprender com a outra pessoa

As melhores ideias surgem do resultado da interação com outras pessoas. Por isso sempre batemos na tecla: quanto maior a abertura em aprender com diferentes pessoas ao redor, melhores são as chances de sucesso nas iniciativas. Especialmente se as pessoas forem diversas.

 

3. Sintetizar informações

A capacidade de interpretar dados e informações - que podem vir de todos os lados - e transformá-los em insights e oportunidades é uma habilidade fundamental que requer o desenvolvimento de algumas estruturas e mapas dentro do processo de Design.

 

4. Experimentação rápida

Essa habilidade requer bastante desapego. Você pode gerar milhares de ideias, testar apenas uma só e ainda não ser a melhor solução. Isso é natural e faz parte do processo.

 

5. Mover-se entre o concreto e o abstrato

Isso envolve entender muito bem as partes interessadas e o objetivo do projeto. Para isso, é necessário se conectar com todo o ecossistema que está à sua volta.

 

6. Construir e criar intencionalmente

A melhor maneira de envolver alguém é mostrando algo. Saber construir as coisas rapidamente e se sentir à vontade para compartilhar essas ideias que na maioria das vezes não estarão 100% polidas não é nada fácil e requer muita prática. 

7. Comunicar-se deliberadamente

A capacidade de entender o público que você está trabalhando e comunicar as ideias de maneira clara e objetiva é uma habilidade extremamente necessária para o sucesso de um projeto.

 

8. Projetar o trabalho de design

Segundo David, se em vez de pensar em uma decisão como um trabalho, mas sim como um projeto e um problema de design, poderá aplicar todos os benefícios do Design Thinking.

O Design e os negócios

Em tecnologia social, processos organizados dão segurança e reduzem o risco das pessoas saírem correndo sem um rumo definido. Agindo como um guia e sem excessos, os processos ajudam as pessoas a suprimirem o medo de errar ou a obsessão por minimizar erros ao invés de buscar oportunidades.

 

Os artefatos físicos e as ferramentas formatadas do design thinking entregam um senso de segurança, ajudando designers em potencial a moverem-se com mais segurança através da descoberta das necessidades da clientela, geração de ideias e teste e iteração de soluções.

 

Para designers experientes, o processo de design thinking pode parecer muito estruturado e linear, e isso é verdade. Mas é também verdade que nem todo mundo se desenvolveu como designer dentro das empresas. E portanto, nem sempre essas pessoas estão acostumadas a ficar cara a cara com a clientela, divergir e convergir rapidamente, co-criar com stakeholders e nem tão pouco projetar e executar experimentos. A estrutura e linearidade do design thinking ajuda o time a experimentar e ajustar novas habilidades e comportamentos, entregando valor e resultados já nas primeiras experiências com o método.

 

Portanto, o design, ao mobilizar e conectar diversos conhecimentos para tratar de problemas reais, é o caminho definitivo para projetar produtos, processos, serviços, experiências ou o próprio modelo organizacional, entregando muito mais valor e relevância de forma mais ágil e eficaz. 

 

O design thinking tornou isso acessível, facilitando o processo para designers de qualquer nível, aproximando profissionais com diferentes competências para fazer isso em conjunto, e desenvolvendo habilidades que vão transformar o dia a dia da sua organização e até mesmo o futuro da sociedade. 

 

A sua empresa pode se beneficiar da abordagem do design. Você pode saber como escolher a consultoria de inovação ideal para a maturidade da sua organização. Ou então, vem bater um papo com a gente :)




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