Daniele Brogliatto - Coordenadora de desenvolvimento de negócios na Suzano

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A importância do design no desenvolvimento de embalagens do presente e do futuro

Aqui vai a visão de uma Marketeira Desenvolvedora de Negócios, Engenheira de Alimentos de formação, que trabalhou por alguns anos no P&D de Embalagens e que vem, desde 2019, ajudando empresas no desenvolvimento de embalagens do futuro.

Contexto: crescimento populacional, impactos ambientais e consumidores exigentes

Parece clichê, mas é fato, algumas coisas aconteceram (e têm acontecido no mundo), que se você mantiver a sua forma de desenvolvimento de embalagens, sinto lhe informar, mas você tem grandes chances de ficar para trás.

Passamos de menos de 1 bi de pessoas em 1750 para 7,7 bi em 20204, e a expectativa é chegarmos a 2050 com 9,7 bi3. Esse aumento populacional faz com que o resíduo sólido gerado passe de 2,01 bi ton/ano em 2016 para 3,40 bi ton/ano em 2055 – um aumento de 69%. Tudo isso, somado a maiores produções das indústrias, desmatamento, queimadas, resíduos sem tratamento, entre diversos outros fatores, faz com que nosso planeta peça por um socorro – e esse grito é urgente: já o aquecemos 1,2C e as expectativas, se continuarmos como estamos, é de aquecer mais 2C até 2050 ou até 3C até o final do século1.

Uma das formas que temos de reduzir esses impactos ambientais é a utilização de materiais de embalagem que sejam de fonte renovável e, além disso, termos a consciência de que pensar no fim de vida do material hoje já é uma obrigação – e não apenas um “nice to have”. Reciclagem, biodegradabilidade, compostabilidade e quem sabe até algo que não precise ser descartado? Afinal, como já ouvi de algumas fontes diferentes: Lixo é um erro de design.

Todo esse cenário foi combinado com uma nova era de consumidores, que estão cada vez mais exigentes e informados. Consumidores que sabem sobre sustentabilidade, mas que também querem ter uma embalagem que proteja o conteúdo, que tenha um desenho que chame a atenção, que atenda aos custos necessários.

E quem fica com esse desafio? Os atores da cadeia de produção de embalagens: o produtor da matéria prima, o convertedor desse insumo em embalagem e o dono de marca, que é o elo decisor e que precisa entender como entregar a melhor solução para o cliente final. E é aí que o desenvolvimento tradicional não basta.

Para entender mais sobre esse contexto: O que é ESG e sua relação com a inovação

A mudança no mindset do Desenvolvimento de Embalagem

No começo do meu trabalho em P&D de Embalagens, observava que as preocupações eram tecnológicas: como fazer os produtos durarem mais, como conseguir mais barreira, como não danificar no transporte. Soluções puramente “engenheirísticas”, focadas no produto e no objetivo da empresa.

Para esses problemas, todos focados no produto – e em um momento em que não sabíamos muito das maravilhas do design thinking – o processo tradicional “resolvia” bem (ou nós achávamos que estava resolvendo).

Seguíamos no tradicional:

CONCEITO ->  INÍCIO -> ANÁLISE -> PROJETO -> CONSTRUÇÃO -> TESTE -> DESENVOLVIMENTO

Mas... não falta algo nisso? Como atuar ouvindo as necessidades do cliente, como ser Customer Centric aplicando essa estratégia? Como ser pioneiro? Como participar de soluções que desenharão o nosso futuro de embalagens? 

Passei então a “sentar do outro lado da mesa”. E, ao invés de ver um tipo de produto ou uma marca que lança seus produtos no mercado, passei a trabalhar com várias. Cada uma com seu desafio, cada qual com seus trâmites de desenvolvimento interno, mas quase 100% delas focando muito em um desafio em comum: a sustentabilidade.

Design thinking no desenvolvimento de embalagens

E aí, quando temos uma problemática complexa, com muitas soluções ainda não viáveis ou plenamente desenvolvidas, precisamos entender mais a fundo as necessidades do consumidor e dos atores da cadeia. Se elas não forem atendidas, podemos estar errando feio.

Mas como fazer isso de uma forma eficiente? Como resolver problemas complexos focando no cliente? Foi aí que conheci o design. “Design Thinking” – metodologia de desenvolvimento de produtos e serviços focados nas necessidades, desejos e limitações dos usuários, segundo a USP2. Como o design poderia me ajudar?

O design faz você ter o olhar de fora para dentro e, quando você sai da sua bolha, quando você olha o problema da ponta da cadeia – e até mesmo o problema do consumidor – você entende quais soluções de fato precisa entregar. Muitas vezes, sem esse olhar, você entrega soluções incompletas: pode entregar pontos que o cliente não precisa e, além disso, não entregar itens essenciais do ponto de vista do consumidor.

Embalagens sustentáveis, muitas vezes, não são simples de se desenvolverem: precisam de um fechamento diferenciado (para que se use somente materiais sustentáveis), precisam de uma mudança de hábito do consumidor, precisam de escala, armazenamento e transportes adequados...e como saber se estamos entregando a melhor solução?

Desenvolver embalagens não é fácil. Desenvolver embalagens atendendo às necessidades dos diferentes consumidores de cada dono de marca é ainda mais desafiador. Precisamos entender as necessidades técnicas da indústria, a experiência e os desejos do consumidor final, os apelos necessários que vêm da matriz / do consumidor / do dono de marca. 

O design nos mostra o caminho, faz com que percebamos inclusive outros aspectos que precisamos atuar: educação do consumidor, mudança de mindset da indústria, atuação em cadeia logística. Além disso, temos a oportunidade de errar rápido e aprender mais rápido ainda: as fases de prototipação são como pequenos laboratórios que nos guiam para a melhor entrega.

Grandes corporações fazem pequenos testes – lotes pilotos, mudam apenas um item da marca, lançam apenas um produto – e assim conseguem também corrigir o protótipo para fazer um produto já ajustado. 

4 problemas no processo de desenvolvimento de embalagens quando não aplicamos o design


Podemos perceber que, se não olhamos com a estratégia do design, cometemos alguns erros gravíssimos:

  1. Olhamos para a tecnologia, mas acabamos trabalhando com muitos “achismos” com relação à opinião e necessidades da cadeia e do consumidor final;
  2. Demoramos demais para entregar soluções que podem ser rapidamente testadas como protótipos e até mesmo pilotos;
  3. Não agimos como protagonistas no desenvolvimento;
  4. Podemos acabar nos esquecendo de alguns pontos cruciais se não ouvimos nossos stakeholders (ou personas).

E tudo isso, isolado e principalmente combinado, faz com que as empresas acabem perdendo valor. Valor financeiro mesmo, seja pelas vendas que não efetuamos ou pela falta de inovação reputacional – isso ocorre principalmente em empresas que, por trabalharem com projetos tradicionais muito longos ou conservadores, acabam sempre “pulando em um barco que já partiu”.


A corrente acelerada pela Nova Economia


Hoje não há mais escapatória: Sustentabilidade e Negócios precisam estar juntos. O desafio maior será para as empresas que estavam acostumadas a executarem projetos no sistema tradicional.

As empresas da Nova Economia – em sua grande parte empresas de tecnologia, são hoje grandes impulsionadoras de ações de sustentabilidade. Como diz Diego Barreto no seu livro “Nova Economia”, quando e-commerces colocam ferramenta no aplicativo para reduzir o consumo de plástico em embalagem, impactam imediatamente muitos comércios e indústrias, fazendo com que a solução seja multiplicada e possa contribuir para a sociedade como um todo. “É um efeito dominó grande na implementação rápida de medidas sustentáveis”.

As empresas tradicionais precisam estar prontas para agir rápido e se adaptarem às necessidades dos novos tempos.

Unindo esforços entre os atores da cadeia, ouvindo todos que fazem parte de um processo maior e trabalhando juntos para melhores soluções, chegaremos lá. E essa jornada fica muito mais fácil com o design. O design será um dos grandes protagonistas para um mundo sustentável.

Referências:


1 https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/veja-as-principais-conclusoes-do-relatorio-do-ipcc-sobre-a-crise-climatica/

2 http://www.inovacao.usp.br/o-que-significa-design-thinking/

3 https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/06/18/populacao-mundial-chegara-a-97-bilhoes-em-2050-preve-onu.ghtml

4 https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/explosao-demografica.htm

5 World Bank Group, 2020


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