Cecília Simões Varanda

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5 atitudes para não banalizar o erro e aprender com ele

Quem trabalha com inovação não tem como escapar: errar uma, duas, três vezes e não se abalar com isso. Muito pelo contrário. Inovar é correr risco, errar antes de acertar e fazer coisas que podem até dar vergonha em algum momento. E tem que ser assim mesmo, pois se não for é porque a gente está demorando demais — o que é totalmente contraditório a inovar-transformar em um mundo tão acelerado.

Ao mesmo tempo, não devemos achar que errar é muito legal pelo simples fato de errar. Não é disso que se trata a cultura do erro. Quando começamos a glorificar o erro estamos tentando nos proteger de fracassos, como se fosse uma casca do tipo “vou passar um esmalte bonito aqui para parecer bacana”.

Então temos que desconstruir essa glorificação e, mais importante, abraçar a humildade que a gente precisa para reconhecer que não sabemos tudo para poder aprender. A gente vai errar e tudo bem porque também vamos estar abertos para aprender e é disso que se trata a cultura do erro.

Não existe uma fórmula mágica para colocar a cultura do erro em prática para se desenvolver e aperfeiçoar, mas há algumas atitudes que farão toda a diferença em você e no entorno:

1) Seja humilde

Por muito tempo falaram que era preciso desenvolver uma thick skin e ter essa casca durona, deixando a humildade fora dos espaços corporativos. Mas não é por aí.

O erro existe e só vale a pena para o aprendizado e a gente só se dispõe a aprender quando assume e está em paz com o fato que não sabemos tudo.

Para isso, precisamos deixar a casca durona de lado e ser humildes, então, minha primeira dica é: seja humilde sempre, respeite sempre, independentemente da cultura do erro ou de qualquer coisa.

2) Não busque culpados

Em um contexto ágil, buscar culpados é gastar energia à toa. Com meu trabalho na Garagem de Inovação - espaço de transformação digital e fortalecimento da cultura de experimentação e disrupção da Unilever- , venho aprendendo que esse é um movimento mais fácil de ser feito nas camadas hierárquicas mais baixas e vai se tornando mais difícil quando vamos subindo a escadinha, com pessoas que cresceram em um contexto diferente, no qual a famosa (e ultrapassada) “caça às bruxas” era o padrão.

Então, acho que especialmente para líderes, essa cultura do erro só começa a se enraizar e crescer quando eles se sentem parte do time, do problema e da solução. Se alguém do time errou, não é fulano errou, mas sim o time errou e vamos juntos aprender com isso e tocar a vida pra frente.

3) Faça do aprendizado um compromisso

Nesses tempos em que tudo acontece tão rápido, a vontade de resolver as coisas logo e seguir em frente é tão presente que acabamos esquecendo de parar cinco minutos para pensar e tirar os aprendizados do erro.

A gente faz uma inovação linda, lança, dá errado, fica chateado, mas esquece de fazer um post mortem, esquece de analisar o que aconteceu e já vai para a próxima porque a próxima sim, vai ser um sucesso! É aí que entra a disciplina, o compromisso de refletir sobre o erro e aprender, caso contrário o erro vira banal, você está errando por errar e provavelmente vai repetir esse erro no futuro.

4) Peça mais desculpa e menos permissão

Se a gente esperar todos os astros se alinharem, todas as aprovações chegarem, todos os fluxos gigantes serem seguidos, vai demorar muito e provavelmente nunca vai conseguir lançar alguma coisa.

Portanto, sim, para inovar às vezes temos que assumir alguns riscos, o que significa que você vai errar e aí, de novo, ter a humildade para pedir desculpas. Mas aqui é claro que entra o bom senso - sempre! Não vai fazer nada que não seja dentro do compliance, a ideia é achar aquele ponto ótimo entre risco e rebeldia.

5) Celebre pequenas vitórias

As pessoas tendem a maximizar o erro e minimizar os acertos, esquecendo de celebrar o que dá certo e isso piora quando a gente vai criando essa ideia de que tudo bem o erro.

Quando a gente extrapola muito e o erro fica muito grande perto dos acertos, ou os acertos são a norma e não são celebrados, há um descompasso.

Se você consegue normalizar de uma forma na qual os erros acontecem, mas aprende com eles, e os acertos são legais e celebrados mesmo que pequenos, você vai trazendo um equilíbrio melhor em tudo isso e certamente ajudará a contagiar os novos adeptos desta cultura.

Sei que não dá pra pegar todas estas atitudes, fazer “plim” e mudar de uma hora pra outra, mas com um tempo (e muito treino) todo mundo pode desenvolver esta habilidade para tirar proveito de erros e contornar situações que poderiam ser constrangedoras.

Eu mesma passei por uma dessas recentemente, na live de aniversário da Garagem. Tudo que poderia dar errado, deu, mas eu confesso que fiquei menos nervosa do que eu mesma imaginava e do que ficaria se tivesse acontecido anos atrás.  

Naquele momento, eu poderia desligar o microfone e jogar a culpa nos outros ou tentar manter uma experiência boa para quem assistia e honrar essas pessoas que pararam seu dia para estar lá com a gente. Resolvi seguir a segunda opção e foi, com certeza, a prova de fogo de colocar em prática tudo isso que eu prego de errar, dar a volta por cima e continuar tudo bem.

Foi um problema atípico, mas que talvez pudesse ter sido evitado com outros tipos de testes antes do evento e esse foi um dos aprendizados que tiramos e que colocaremos em prática da próxima vez. Quando abraçamos esta cultura do erro, ao invés de episódios para lamentar, temos boas histórias para contar.

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